Chikung para as diferentes fases do ciclo menstrual - Parte I


Fase pós-menstrual e Fase meio do ciclo (ovulação)

Segundo a Medicina Chinesa o ciclo menstrual divide-se em 4 fases:

Fase Menstrual - Durante esta fase o sangue está em movimento e este movimento  depende do livre fluxo do Qi do Fígado. Dá-se a queda dos níveis de progesterona e a necrose do endométrio.

Fase Pós-Menstrual - Dura aproximadamente 7 dias. Aqui o Sangue  e Yin estão relativamente em vazio, assim como os meridianos do Chong e Ren Mai.  Corresponde à Fase folicular,  os folículos crescem e o estrogénio aumenta pela ação da hormona  (FSH).

Fase do Meio do Ciclo – Dura aproximadamente 7 dias. O sangue e o Yin começam a encher os meridianos do Chon e Ren Mai.  Corresponde à fase da Ovulação. O ovulo é libertado do folículo e o corpo lúteo desenvolve-se sob o efeito da hormona (LH).

Fase Pré-Menstrua - Dura aproximadamente 7 dias. Aqui o Yang Chi sobe, o Chi do fígado movimenta-se em preparação para o ciclo.  A mobilização do Chi do Fígado torna-se fundamental. Corresponde à  fase luteínica. O corpo lúteo cresce e segrega progesterona.

Em MTC usa-se cada uma das fases do ciclo para tonificar, desbloquear ou dispersar de acordo com a condição apresentada.

A mulher pertence ao yin, e é caracterizada por uma forte dose de emocionalidade.
O útero está ligado ao coração pelo canal do útero (Bao Mai). Desta forma, as alterações  hormonais que acontecem no útero e ovários  durante o mês são expressas pelo coração  em termos  emocionais.
Em Medicina Chinesa, as hormonas são distribuídas pelo sangue, logo ligadas ao fígado, mas são da responsabilidade do Rim visto ser este o responsável pelo cérebro,  morada da hipófise e fonte do controlo hormonal.
A cada fase menstrual, como vimos acima, existe um órgão que está mais ativo e será a este que os exercícios de chikung serão dirigidos.


Chi Kung

Vista roupa confortável, de preferência algodão ou seda. Descalce-se ou use meias. Escolha um local arejado, e com pouco ruido se optar por praticar dentro de casa. Se optar pela natureza, escolha um local com pouco ruído e com  muita vegetação.

Coloque os pés à largura dos ombros, os joelhos ligeiramente flectidos.


Faça uma automassagem para colocar a energia a circular: massaje a cara com as pontas dos dedos, testa, boca, orelhas.


Siga para os braços: desça a mão pela face interna do braço e suba-a pela face externa seguindo desta forma a circulação energética dos meridianos.

Em seguida desça as mãos pelas laterais das pernas até aos pés e suba pela face interna das pernas passando pelas virilhas.


Massaje os rins e o sacro e coloque as mãos sobrepostas sobre o umbigo.


Sinta o seu ventre, o seu centro durante alguns momentos esqueça o que a rodeia e centre a atenção no seu umbigo ou dois dedos abaixo deste.
Coloque uma das mãos sobre o umbigo e a outra nas lombares, oposta à da frente.
Feche os olhos e sinta o seu centro durante alguns momentos.
Sinta o seu interior.


Se estiver na Fase Pós-menstrual:

Você é capaz de se sentir cansada e com falta de energia, o seu yin e sangue estão em vazio, assim como os meridianos do vaso de Vaso de Concepção (Ren Mai) e Vaso Governador (Du Mai).

     Coloque-se de pé com os pés a largura dos ombros.
     Faça uma automassagem, como descrito acima e inclua uma boa massagem ao fígado, baço e Rins.

    Coloque as mãos no fígado e tente expandir esta área em inspiração, prenda a respiração e bata, com a mão fechada em forma de punho, sobre a área do fígado, faça o mesmo para o Baço e os Rins.
     Centre a atenção no umbigo.
     Inspire e expanda o abdómen, expire e contraia-o. Esta respiração, também chamada “respiração de fole”, deve ser feita de forma firme e forte durante 10-15 respirações. A respiração, feita desta forma, vai dar uma massagem vigorosa aos órgãos internos, fazendo com que a sua energia aumente.


      Tombe o tronco frente ao corpo lentamente observando o movimento de cada vértebra.
      Mantenha o tronco em baixo durante uns segundo antes de retornar à posição vertical.
      Quando o fizer, suba o tronco movimentando vértebra a vértebra, sempre com a cabeça em baixo.
      Só no fim a cabeça sobe.
      Sinta o trabalho do Vaso Governador.
     Coloque as mãos nos quadris e tombe o tronco para traz. Abre bem o peito e sinta o
     Vaso de Concepção em extensão.

      Com o tronco direito, coloque a língua no palato e contraia ligeiramente o períneo.
     Faça a órbita microcósmica.
     Inspire pelo vaso Governador do Períneo até ao topo da cabeça. Relaxe o períneo e deixe cair a língua; expire pelo Vaso de Concepção.
     Repita durante 6 voltas.


Se estiver a meio do ciclo (ovulação):

Provavelmente sente-se com mais líbido. Durante esta fase, a mulher fica mais atraente, os olhos estão mais expressivos, o seu cheiro está mais sedutor. Esta fase corresponde à ovulação.
O útero prepara-se para receber o óvulo fecundado, o yin aumenta e os meridianos do Vaso Governador e Vaso de conceção começam a encher-se de energia.

Esta é a fase que deve trabalhar mais a sua energia sexual e autoestima.

Coloque-se de pé com os pés á largura dos ombros. Faça uma automassagem pelo corpo todo.
Inclua os seios.
Rode as ancas em círculos e bascule a pélvis para a frente e para trás.
Sinta a pélvis.
Coloque uma mão ao nível do coração e outra ao nível da Sínfise Púbica (osso púbico).
Relaxe e respire para as suas mãos.
Faça círculos com ambas as mãos.
Desta forma ativa o fogo do coração e a água da zona sexual.
Coloque as mãos nos  seios, respire fundo e sinta-os. Peça permissão ao seu corpo e comece a massajá-los, use uma respiração suave.
Use “óleo de Jojoba” ou “grainha de uva com essência de rosa”. 

Após a massagem traga as mãos até aos seus ovários. Massaje-os e em seguida coloque as mãos sobrepostas ao nível da sínfise púbica.
Respire para essa área.
Se já praticar durante algum tempo, absorva a energia do peito com o seu útero. Se for principiante, visualize a energia a descer até ao útero.
Mantenha as mãos ao nível do útero que fica por trás da bexiga.

Centre-se agora no seu coração. Sorria para ele e leve essa energia até ao útero e ovários.

Termine fazendo a órbita microcósmica 6 vezes (o último exercício da fase pós-menstrual).
Artigo realizado por Paula Madeira com ilustrações de Andreia Gomes.

No próximo artigo abordaremos as restantes fases:
fase pré-menstrual e menstruação e os exercícios de Chi Kung que se adequam a esses momentos.

Perturbações no ciclo menstrual que podem levar à Infertilidade


Para que possa haver concepção é fundamental que as estruturas envolvidas neste processo sejam saudáveis (ovários funcionais, trompas de Falópio desobstruídas, colo do útero e endométrio saudáveis, etc.) e que haja equilíbrio hormonal (que permita o correcto desenrolar do ciclo menstrual em todas as fases).

A infertilidade pode advir de qualquer factor que comprometa estes elementos.
Pode estar relacionada com um factor de natureza anatómica, de uma alteração consequente de uma infecção genital crónica, um tumor ou distúrbios no sistema hormonal.

As causas de infertilidade feminina são as seguintes:

         - Desordens da ovulação:
Responsáveis por cerca de 25%-30% dos casos de infertilidade.
Incluem problemas relacionados com as hormonas envolvidas na ovulação ou com o próprio funcionamento dos ovários, levando a uma ovulação irregular, pouco frequente ou mesmo inexistente.
Nos casos relacionados com desequilíbrio hormonais, os tratamentos implicam geralmente o recurso a medicação e apresentam boas taxas de sucesso.

Nota:
As Desordens na secreção de LH e FSH são as principais causadoras das desordens
ovulação.
Como vimos no artigo anterior, LH e FSH são as principais hormonas responsáveis pela
ovulação e são altamente sensíveis a factores como stress físico ou emocional, condições
de doença, alterações de peso repentinas, peso muito baixo, etc.

-   Síndrome do ovário poliquístico
Surge de grandes alterações hormonais a nível do hipotálamo, hipófise e ovários e tem como consequência o desenvolvimento incompleto dos folículos ou inexistência de óvulo maduros nos folículos estimulados.

-   Insuficiência ovárica prematura
Causada por uma resposta auto-imune em que o organismo ataca as células ováricas, resultando na perda de óvulos e numa reduzida produção de estrogénio.

-   Danos nos ovários
Nomeadamente cicatrizes que impedem a correcta maturação de folículos. Estas cicatrizes são devidas a cirurgias (remoção de quistos ou tratamento de estados infecciosos).

-   Menopausa prematura

         -  Síndrome do folículo luteinizado não roto
Refere-se a casos em que se dá a maturação do folículo e o correcto desenvolvimento de um óvulo no seu interior mas nunca ocorre o rompimento das paredes foliculares que permita a saída do óvulo.

-   Danos nas trompas de Falópio
Responsáveis por cerca de 25% dos casos de infertilidade feminina. Correspondem a danos ou bloqueios (parciais ou totais) das trompas de Falópio que impem a subida dos espermatozoides até ao óvulo ou a descida do óvulo fertilizado até ao útero.
Os tratamentos implicam quase sempre cirurgia.

Nota:
Quais as principais causas dos danos das trompas de falópio?
       - Infecções causadas por bactérias ou vírus (geralmente transmitidos por via sexual) que causam inflamação nas trompas com consequentes danos.
        - Doenças que afectem o abdómen, tais como apendicite ou colite e que inflamem a cavidade abdominal e afectem as trompas causando cicatrizes e bloqueios.
         - Pré-existência de uma gravidez ectópica (quando a nidação e desenvolvimento do óvulo fertilizado se dá numa trompa e não no útero)
         - Cirurgias prévias ao abdómen ou pélvis das quais resultem adesões que bloqueiem as trompas.
         - Defeitos congénitos das trompas de falópio.

-   Endometriose:
Responsável por cerca de 10% dos casos de infertilidade feminina,  caracteriza-se pelo crescimento de placas de tecido endometrial (que normalmente só se encontra no revestimento interno uterino - endométrio), fora do útero (nomeadamente nas trompas, ovarios, etc.).
Este crescimento de tecido extra, bem como a sua remoção cirúrgica, pode criar cicatrizes, produzir substâncias, etc., comprometendo a fertilidade.

-   Estenose do cérvix:
Estreitamento ou bloqueio que pode advir de uma deformação congénita ou de um trauma e que pode impedir a passagem de espermatozoides até ao óvulo.

-   Muco cervical não favorável:
Questões relacionadas com a quantidade e qualidade do muco cervical afectam cerca de 3% dos casais com problemas de fertilidade pelo comprometimento da mobilidade e sobrevivência dos espermatozoides e da ocorrência de fertilização. As causas são principalmente de origem hormonal.

-   Causas uterinas:
São responsáveis por cerca de 10% dos casos de infertilidade feminina. Pólipos ou tumores benignos (fibroides ou miomas) no útero, comuns em mulheres na terceira década de vida, podem comprometer a fertilidade causando bloqueios nas trompas ou inviabilizando a nidação.
Da mesma forma, a existência de cicatrizes no útero ou a existência de um útero com um formato anormal (congénito) pode também inviabilizar a concepção e o total desenvolvimento da gravidez (abortos sucessivos).

-   Defeito da Fase Lútea:
Produção insuficiente de Progesterona para garantir condições de nidação do óvulo fertilizado.



Para além das causas acima referidas, é importante salientar que todos os factores que comprometam a saúde no geral podem consequentemente comprometer a fertilidade, nomeadamente:
- Alimentação, tabagismo, consumo de álcool e demais drogas, exposição a químicos, toxinas, radiações, etc.



Trabalho de Rita Machado Caetano adaptado por Joana Prata.

No próximo artigo falaremos sobre exercícios e práticas de Qi Gong para a mulher, adequados às várias fases do ciclo menstrual.