A Alimentação na Menopausa


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A Alimentação na Menopausa

Para a Organização Mundial de Saúde, uma mulher encontra-se em menopausa após a ausência consecutiva da menstruação por 12 meses, o que normalmente ocorre entre os 45 e 55 anos. Nos países industrializados, a média da idade em que ocorre a menopausa situa-se entre os 50 e os 52 anos, e um ou dois anos a menos nos países em desenvolvimento.

Pode-se definir a menopausa como a fase da vida da mulher em que cessa a capacidade reprodutiva. Os ovários deixam de funcionar e a produção de óvulos e hormonas como a progesterona e estrogénios diminui, consequentemente produzem-se no organismo diversas mudanças fisiológicas: algumas são resultantes da função diminuída dos ovários e de fenómenos menopáusicos a ela relacionados, outras resultam do processo natural de envelhecimento. Quando se aproxima a menopausa, muitas mulheres experimentam certos sintomas, muitas vezes passageiros e inócuos, porém não menos desagradáveis e por vezes incapacitantes.

Este conjunto de sintomas normalmente associados à menopausa podem ser relativizados, visto que se desenvolvem dentro de parâmetros sociais, económicos, culturais e étnicos muito distintos. Até mesmo as famosas ondas de calor, um dos sintomas mais característicos da menopausa, variam de cultura para cultura: 85% das mulheres europeias e norte-americanas experimentam ondas de calor, o mesmo só acontecendo com 17% das japonesas e em cerca de 5% das Maias da América Central. Os sintomas relacionados à menopausa estão intimamente relacionados com a forma como as diferentes culturas encaram o processo de envelhecimento; na sociedade americana, por exemplo, há a tendência de focalizar os aspetos negativos do processo: a doença, a perda da capacidade de se reproduzir, o declínio físico e mental ou a perda do status social, entre outros. Já em outras culturas, são enfatizados os aspetos positivos da mulher nesta fase: como a libertação da responsabilidade de ter filhos e das restrições sociais e culturais que às vezes são impostas sobre as mais jovens que ainda menstruam (OMS, 1996).
É ainda de referir que se considerarmos o facto de que a expectativa de vida das mulheres até o século XIX era de 38 anos, pode-se dizer que a experiência da menopausa é um acontecimento quase restrito às mulheres do século XX.


Principais sintomas

Embora nem todas as mulheres tenham sintomas durante a menopausa, estando a maior ou menor intensidade dos mesmos relacionado com as características físicas individuais, com os seus antecedentes culturais e ainda com a sua história familiar, há sintomas que aparecem com mais frequência em mulheres nesta faixa etária:

- Períodos menstruais irregulares: a menstruação pode não surgir todos os meses, pode durar mais ou menos dias do que é usual e a quantidade da hemorragia pode ser maior ou menor.

- Afrontamentos ou calores: manifestam-se por uma sensação súbita de calor no rosto e no pescoço, mas que, em alguns casos, pode afetar todo o corpo. Os afrontamentos podem fazer-se acompanhar de transpiração abundante e arrepios de frio.

- Distúrbios do sono: a mulher pode sentir mais dificuldade em conciliar o sono assim como em mantê-lo e ter suores noturnos, o que leva a que esteja mais cansada durante o dia.

- Problemas vaginais e urinários: as paredes da vagina tornam-se mais finas e secas devido aos níveis mais baixos de estrogénio, o que pode afetar as relações sexuais e a líbido. Por outro lado, como o estrogénio também ajuda a proteger a saúde da bexiga e da uretra, é possível que surjam infeções vaginais ou do trato urinário. Pode também ser mais difícil controlar a vontade de urinar.

- Alterações de humor, memória e concentração: a mulher pode ter mudanças de humor repentinas, estar irritável ou ter acessos de choro. Pode também ter falta de memória e/ou problemas de concentração.

- Osteoporose: a taxa da perda óssea aumenta o que tem como consequência os ossos tornarem-se mais finos e fracos, podendo levar a fraturas.

- Mudanças corporais: a cintura pode alargar e a mulher pode perder músculo e ganhar gordura.

Na Medicina Ocidental, o controlo dos sintomas da menopausa passa pelo uso de Terapia Hormonal de Substituição (THS), que diminui os afrontamentos, a secura vaginal e as alterações do humor.
Porém, esta terapia é contraindicada em algumas mulheres, nomeadamente em mulheres com risco cardiovascular significativo, bem como em mulheres com antecedentes de cancro da mama e do ovário especialmente se houver familiares do 1º Grau com cancro.
Para lá dos tratamentos hormonais, podem ser utilizados medicamentos de outras classes para controlar os sintomas. É também aconselhada a introdução de alterações no estilo de vida e na dieta, a prática de exercício físico e a redução dos níveis de stress.


MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

Para a MTC, os problemas menstruais devem-se fundamentalmente ao declínio da Essência do Rim, que pode tomar a forma numa deficiência do Rim Yin ou do Rim Yang ou ainda numa combinação de deficiência de ambos, contudo é comum que a deficiência apareça em diferentes proporções, ou seja, pode haver predominância de sintomas de deficiência de Rim Yin ou de Rim Yang, existindo as duas em simultâneo.

No caso da deficiência do Yin do Rim é fácil entender a ocorrência de afrontamentos: quando o Yin está deficiente há a presença de calor vazio. Mas no caso de deficiência do Yang do Rim, como explicar os afrontamentos? Este sintoma aparece pelo facto de que quando o Yang do Rim está deficiente, o Yin do Rim também está em deficiência, embora num grau inferior e como consequência há a presença de algum calor vazio.
Assim sendo, numa mulher em menopausa, a presença de língua pálida indica que a deficiência do Yang do Rim é predominante, se a língua se apresenta sem capa (total ou parcialmente), há uma predominância da deficiência do Yin do Rim.

Apesar da deficiência da Essência do Rim ser sempre a raiz dos problemas da menopausa, é provável que ao longo dos anos que a precederam, tenha havido uma acumulação de outras patologias. Por esta razão a menopausa é muitas vezes acompanhada por outras patologias nomeadamente Humidade, Fleuma, subida do Yang do Fígado, Estagnação de Qi ou Estase de Sangue.

Pode-se assim encontrar a seguinte diferenciação de síndromes:

- Deficiência do Yin do Rim
- Deficiência do Yang do Rim
- Deficiência do Yin e do Yang do Rim
- Deficiência do Yin do Rim e Fígado com subida de Yang do Fígado (com presença de irritabilidade e sintomas de deficiência de Yin do Rim)
- Desarmonia do eixo Coração-Rim (deficiência do Rim Yin com calor vazio no Coração)
- Acumulação de Fleuma e Estagnação de Qi (mais comum em menopausas precoces)
- Estase de Sangue (mais comum em menopausas precoces ou pode acompanhar os padrões anteriores)





Dietética em MTC durante a menopausa

A Dietética é uma das especialidades terapêuticas da Medicina Tradicional Chinesa, é um auxiliar importante no apoio a outras terapias e indispensável na prevenção e tratamento de doenças. É essencial que o paciente seja sempre informado acerca da alimentação adequada para a sua patologia e da importância da alimentação para a manutenção da saúde, sob o ponto de vista da Medicina Tradicional Chinesa.

A alimentação a prescrever a cada paciente vai depender da síndrome que a paciente apresente e dos sintomas que ela mais anseie ver resolvidos. Há assim uma alimentação adequada a cada síndrome, alimentos que devem ser consumidos com mais frequência e alimentos a evitar, conforme os princípios terapêuticos estabelecidos:

Deficiência do Yin do Rim
Princípios terapêuticos: nutrir o Yin do Rim, subjugar o Yang, acalmar a mente e clarear calor vazio.
Devem-se evitar alimentos quentes, frios, o excesso de sabor salgado, os sabores picantes de natureza morna e quente. São aconselhados os sabores doce, salgado e ácido de natureza neutra e fresca e de cor negra pois os alimentos negros têm afinidade com o Rim.
Exemplos: trigo, millet, lentilhas, cevada, feijão preto, sésamo negro, nozes, cogumelo shitake, abóbora, cenoura, couve, mirtilo, uva, ameixa, gema de ovo, pato, algas, miso, peixe branco, lulas, chocos, sardinhas e salmão.

Deficiência do Yang do Rim
Princípios terapêuticos: tonificar e aquecer o Rim, tonificar Yang, aquecer o centro e fortalecer o Baço.
Devem-se evitar alimentos frios e de natureza fria assim como beber em excesso. São aconselhados alimentos de sabor doce, ácido, picante e salgado de natureza neutra, morna e quente e de cor negra.
Exemplos: nozes, castanhas, sésamo, aveia, millet, azuki, feijão preto, alho, couve, funcho, cebola, alho francês, salsa, gengibre, tomilho, canela córtex, cravinho, orégão, pimenta, framboesa, uva, ameixa, cereja, lichii, leite de cabra, pato, galinha, cordeiro, peixe branco e sardinha.

Deficiência do Yin e do Yang do Rim
Princípios terapêuticos: nutrir o Rim, nutrir o Yin, tonificar suavemente o Yang e acalmar a mente.
São aconselhados alimentos de sabor doce, salgado e ácido de natureza neutra e morna e negros.
Exemplos: nozes, castanhas, sésamo negro, azuki, gengibre fresco, raízes, cerejas, ameixas, uvas, lichii, galinha de ossos negros, vaca, rim de vaca ou cordeiro, pato, leite de cabra, camarão, peixe branco, sardinha, lulas e choco.
Podem ser introduzidos outros alimentos tendo em conta se a mulher apresenta mais sintomas Yin ou Yang.



Deficiência do Yin do Rim e Fígado com subida de Yang do Fígado
Princípios terapêuticos: nutrir o Yin do Rim e do Fígado, subjugar o Yang do Fígado, acalmar a mente e enraizar a Alma Etérea.
Esta é uma patologia mista, por esta razão, para além dos alimentos aconselhados para o vazio de Yin do Rim, devem ser introduzidos alimentos que tonifiquem o Yin do Fígado, são alimentos de sabor doce, ácido e salgado de natureza neutra e fresca, com tropismo para o fígado e de cor verde que tem afinidade com o Fígado.
Exemplos: trigo, centeio, sementes de girassol e sésamo, aipo, espinafres, agrião, grelos, nabiças, tangerina, maçã, uvas, tofu, algas, peixe Branco, pato e coelho.

Desarmonia do eixo Coração-Rim
Princípios terapêuticos: nutrir Yin do Rim, acalmar a mente, clarear calor vazio do Coração.
É também uma patologia mista e neste caso para além dos alimentos aconselhados para tonificar o Yin do Rim devem ser consumidos alimentos que clareiem o calor vazio do Coração: alimentos de sabor doce ácido e salgado, de natureza neutra e fresca, com tropismo para o coração e de cor vermelha que tem afinidade com o Coração.
Exemplos: cevada, trigo azuki, lentilhas, sésamo, girassol, amêndoas, aipo, abóbora, cenoura, hortelã-pimenta, uva, ameixa, morango, framboesa, algas, polvo, lulas e ovo.
 

Acumulação de Fleuma e Estagnação de Qi
Princípios terapêuticos: resolver a Fleuma, pacificar o Fígado, eliminar estagnação, regular os meridianos.
Neste caso vamos introduzir alimentos que eliminem a fleuma, são alimentos de sabor picante, amargo e salgado e de temperatura neutra, tal como o daikon, casca de tangerina, cogumelos, casca de maçã, dióspiro, agrião, mostarda, manjerona, rabanete fresco e alho. Deve-se evitar alimentos como lacticínios, açúcar, álcool, amendoins torrados, sumos, pão, banana e gordura animal. Deve-se ainda ter em conta que os alimentos propostos favoreçam o bom funcionamento do Baço, não devem ser alimentos frios nem de natureza fria, devem-se privilegiar os alimentos cozinhados, parar de comer antes de se sentir cheio, ingerir poucos líquidos à refeição e comer pouco à noite.
No que diz respeito a alimentos indicados para a estagnação de Qi, devem-se evitar alimentos quentes, secos e processados vão-se privilegiar as ervas aromáticas, comer mais vezes e em pouca quantidade, privilegiar os alimentos de sabor picante e de natureza neutra e fresca, como o açafrão, daikon, menta, coentros, rábano, rabanete, aipo, pepino, agrião, nabo, anis-estrelado e manjerona.

Estase de Sangue
Princípios terapêuticos: reforçar o Sangue, eliminar a estase, acalmar a mente, abrir os orifícios da mente, mover o Qi e eliminar estagnação.
Os alimentos aconselhados nesta patologia são aqueles que promovam o movimento de Qi e Sangue e que nutram o Sangue, são alimentos de sabor doce e picante e de natureza neutra e morna.
Exemplos: amazake, castanha, cebola, pêssego, caranguejo, esturjão, vieiras, vinagre, beringela, arroz, cevada, nabo, abóbora, feijão verde, favas, inhame, batata, cenoura, couve de Bruxelas, grão, orégãos e alho francês.

Há ainda a referir, que a prescrição alimentar baseada na Medicina Tradicional Chinesa por si só, não é suficiente para tratar uma patologia, é necessário compreender que a dieta prescrita faz parte de um conjunto de tratamentos que serão mais eficazes se forem sustentados numa sólida base dietética.




Imagens:

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Fontes:
Maciocia, G. (2011). Obstetrics and Gynecology in Chinese Medicine. (2ª ed.). Churchill Livingstone Elsevier

Pichford, P. (2002). Healing with Whole Foods – Asian Traditions and Modern Nutrition. (3ª ed.). California: North Atlantic Books

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12902005000100010

http://www.scielo.br/pdf/psoc/v25n2/18.pdf


Artigo escrito e traduzido por Constança Castro, editado por Jorge Ribeiro

Dilatação do Períneo





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O Períneo

O períneo, diafragma pélvico, ou soalho pélvico encontra-se na proximidade da uretra, da vagina e do ânus, estando localizado na parte inferior da bacia, entre o osso púbico, o sacro e o cóccix. Apesenta a forma de um diamante e é constituído pelo músculo elevador do ânus, músculos coccígeos, músculo glúteo superficial, músculo obturador interno, esfíncter anal externo e ligamento sacrotuberal
.





O períneo desempenha uma função fundamental na saúde da mulher, uma vez que este conjunto de músculos é especialmente solicitado durante a gravidez e o parto, porque sustentam o útero, a bexiga e o reto.


No momento do parto, o trauma perineal é uma das complicações mais frequentes, bem como o rasgo perineal (espontâneo) ou pela realização de episiotomia (iatrogénico). A percentagem de episiotomias que se pratica atualmente supera em muito o recomendável. Segundo a Organização Mundial de Saúde, não há uma evidência clara e demonstrável de que o uso rotineiro da episiotomia tenha um efeito benéfico sobre a mulher, e que taxas superiores aos 30% não são justificadas. Uma avaliação correta do períneo, o uso adequado de métodos de proteção deste durante o período expulsivo e a sua adequada preparação durante a gravidez, devem considerar-se uma alternativa válida frente à episiotomia.


No entanto, algumas condições não são modificáveis, como a idade materna, a paridade, a duração da expulsão, a anestesia (epidural) durante o parto, a suspeita de perda de bem-estar fetal, o parto instrumental, a apresentação e posição do feto, o peso do recém-nascido, a presença da episiotomia prévia, a presença de estrias, a distocia dos ombros, a etnia, a patologia materna e o peso antes da gravidez.




A dilatação do períneo – preparação adequada para o parto


O períneo pode e deve ser tonificado ao longo da vida e especificamente durante a gravidez, com exercícios de kegel, exercícios de ioga ou pilates, e banhos de assento. A hidratação com óleo de coco, azeite ou óleo de amêndoas doces também é muito importante.
Durante a gravidez, são recomendados os exercícios de kegel e, a partir das 34 semanas, a massagem perineal ou a utilização de aparelho dilatador vaginal.

Exercícios de Kegel

Para fortalecer o períneo devemos esvaziar a bexiga e contrair os músculos pélvicos durante dez segundos, relaxando de seguida por cinco segundos.

O treino consiste em fazer cerca de cem contrações por dia, divididas em sé-ries de 10 repetições cada. A progressão do exercício consiste em aumentar o tempo de cada contração. Assim, cada vez que contrair os músculos do soa-lho pélvico deve contar até 5 e depois relaxar, repetindo esse passo mais 10 a 20 vezes seguidas.

Se há dificuldade em perceber quais são os músculos a contrair, pode inserir um dedo na vagina e tentar apertá-lo ou, quando urinar, interromper o fluxo de urina.

Banhos de assento e banhos de vapor

Esta técnica não deve ser utilizada durante a gravidez.
Para os banhos de vapor ver: http://ginecesmtc.blogspot.com/2017/05/banhos-de-vapor-vaginais_19.html
No banho de assento deve mergulhar a parte genital numa bacia e utilizar infusões de ervas diluídas em água. Para as mais indicadas ver as ervas tradicionais descritas no artigo para os banhos de vapor.

Massagem perineal

A massagem do períneo ajuda à tomada de consciência desta área. Permite a familiarização com a sensação de relaxamento destes músculos, suavizando os tecidos e facilitando a expulsão no parto.
Inicialmente, a aplicação da massagem pode causar algum desconforto, mas este vai desaparecendo gradualmente. Para evitar esse desconforto, deve iniciar a técnica sem forçar os movimentos dando tempo aos tecidos para que se habituem à massagem. Existem muitas mulheres que têm bastante dificuldade de adaptação à massagem, pelo que é necessário a colaboração do companheiro na técnica, favorecendo assim os períodos de intimidade entre eles.

Como fazer?

Após as 34 semanas, pode-se massajar o períneo após um banho ou a aplicação de compressas quentes para relaxar os tecidos.

Após as 36 semanas, pode-se introduzir uma bola de algodão embebida em óleo que ajuda a relaxar e a suavizar os tecidos no interior da vagina (http://www.gentlebirthmethod.com/videos/vaginal-stretch-videos/ - oil preparation).

Para ambas pode-se utilizar óleo de amêndoas doces, azeite, óleo de rosa mosqueta ou óleo de coco.

Deve escolher uma posição confortável e que facilite o acesso à vagina – de cócoras, sentada com as costas reclinadas ou deitada de lado com uma almofada entre as pernas.

Pode utilizar o polegar ou o dedo médio e o indicador; lubrifique os dedos e o períneo antes de começar.

Introduza os dedos 3 a 4 cm na vagina e faça pressão com suavidade no sentido do ânus, mantenha durante alguns momentos; repita 6 vezes. De seguida, faça pressão obliquamente no sentido entre o ânus e a coxa, para ambos os lados.

À medida que se vai sentido mais confortável com o toque, aumente a pressão no estiramento. Deve realizar esta massagem três vezes por semana até ao parto.

Pode ver vídeos no seguinte link: http://www.gentlebirthmethod.com/videos/vaginal-stretch-videos/

Aparelho dilatador vaginal

O EPI-NO é um aparelho alemão usado para exercitar a musculatura do períneo durante a gestação. Este deve ser inserido no canal vaginal, e encher gradualmente até sentir o estiramento dos músculos. Manter cerca de dez minutos e depois remover ainda insuflado. Aos poucos irá notar que o balão se torna maior e que os músculos estão mais elásticos.

A mulher deve inseri-lo na sua rotina cerca de 3 semanas antes da data prevista para parto, (desde que já tenha iniciado um trabalho de preparação prévio, caso contrário já é tarde), podendo desta forma iniciar os exercícios para aumentar a elasticidade dos músculos do pavimento pélvico. O EPI-NO não deve ser abandonado no pós-parto. Depois do bebé nascer, o aparelho pode ajudar a recuperar a força e tónus do pavimento pélvico que foi sobrecarregado pelo peso do bebé durante toda a gestação.

O nosso períneo deve ser trabalhado desde a infância, puberdade. Não devemos ter vergonha de estimular o nosso relacionamento com esta parte de nós, pela nossa saúde sexual, urinária. Caso não tenhamos começado tão cedo, pelo menos que o façamos na gravidez, em que toda esta zona se encontra sobrecarregada. Mesmo que não seja possível um parto vaginal, a recuperação será mais fácil.


Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Per%C3%ADneo
https://www.tuasaude.com/exercicios-de-kegel-na-gravidez/
http://www.ontarioprenataleducation.ca/labour-progress/


Trabalho escrito e traduzido por Sara Finote, editado por Jorge Ribeiro





Recuperação da Circuncisão (Parte 2)







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Recuperação da Circuncisão (Parte 2)

Prepúcio: Desenvolvimento e efeitos na sexualidade humana

O prepúcio aparece como um anel de epiderme firme às 6 semanas de gestação, crescendo até ao extremo da glande até às 16 semanas de gravidez. A individualização do prepúcio e da glande começa às 24 semanas de gestação. O grau de individualização progride a ritmo variável até ao nascimento. A individualização prepucial é na maioria dos casos suficiente aos 10 dias de vida, o que permite a retracção mecânica sem rasgar o epitélio.

Cerca de 90% dos recém-nascidos apresenta uma fimose fisiológica ou impossibilidade de retrair completamente o prepúcio. Durante os primeiros 3-4 anos de vida factores como o crescimento do corpo do pénis, a acumulação de secrecões epiteliais, as erecções intermitentes e a masturbação na puberdade, propiciam a separação do prepúcio da glande. Cerca de 90% dos prepúcios estão completamente retrácteis aos 3 anos de idade e menos de 1% dos homens tem fimose por volta dos 17 anos. O prepúcio, para além do efeito protector em relação ao meato uretral, apresenta outras funções como a contribuição para o prazer sexual, o que pode implicar uma insatisfação sexual nos homens circuncisados. Assim, a indicação para circuncisão deve ser ponderada e muitas das circuncisões habitualmente realizadas podem ser evitadas. É importante ressaltar que a grande maioria dos homens, apresenta um excesso de prepúcio que, com o pénis em repouso recobre e ultrapassa a glande. Isto não é fimose, mas sim uma condição normal. Todos os homens possuem o freio do pénis, uma estrutura semelhante a um cordão, que liga a extremidade da glande ao prepúcio, impedindo que este seja excessivamente tracionado. Tem a função de limitar os movimentos do prepúcio durante o coito. Ocasionalmente, o freio apresenta-se excessivamente curto, provocando dor e encurvamento nas relações sexuais, sendo necessário o seu alongamento.

Tipos de prepúcio:
Tipo I – Leve retracção sem que se veja a glande
Tipo II – Exposição do meato uretral com retracção ligeiramente maior do prepúcio
Tipo III – Exposição da glande até à sua parte média
Tipo IV – Exposição da glande até a coroa
Tipo V – Exposição fácil de toda a glande, incluíndo o sulco balano-prepucial, sem as aderências encontradas nos tipos anteriores

Quando tecido normal e funcional é removido, as funções sexuais também são alteradas. As alterações no pénis podem variar de acordo com o procedimento e a idade na qual é feito. No entanto há sempre alterações no pénis após a circuncisão.
Quando é feita em recém-nascidos, interrompe de forma traumática a separação do prepúcio da glande que normalmente ocorre de forma natural até aos 18 anos de idade. A glande, que até então era um órgão interno, por estar protegido pelo prepúcio, torna-se um órgão externo e adapta-se através de um processo de espessamento que resulta na dessensibilização.

Quando a circuncisão é feita após a separação normal do prepúcio o dano de forçar a separação é evitado, no entanto a glande continua a espessar para se proteger da fricção com a roupa.

O tecido espesso da glande com o pénis circuncisado pode necessitar de lubrificantes sintéticos para facilitar as relações sexuais. Normalmente, e erradamente, considera-se que a mulher com pouca lubrificação torna a relação sexual dolorosa, no entanto é mais vezes a falta de lubrificação do homem a provocar essa dor. Durante a masturbação, o homem circuncisado tem de usar as suas mãos na glande para estímulo directo e para tal pode precisar de lubrificação sintética.
Num inquérito realizado a 138 mulheres, 6 em cada 7 preferiam ter relações sexuais com homens não circuncisados. Os principais motivos para não preferirem homens circuncisados são:
- Menos hipóteses de ter um orgasmo
- Ejaculação precoce por parte do parceiro
- Desconforto vaginal


Mapeamento dos níveis de sensibilidade em pénis adultos

Num estudo realizado para mapear os níveis de pressão de toque fino em pénis adultos e comparar os valores entre os pénis circuncisados e os não circuncisados, revela que a glande do pénis circuncisado é menos sensível e que a região de transição entre o prepúcio interno e o prepúcio externo é a mais sensível num pénis não circuncisado e é mais sensível do que a região mais sensível de um pénis circuncisado.








As zonas 2-5 e 13-16 foram apenas avaliadas em pénis não circuncisados pois não existem nos pénis circuncisados.

As zonas 18 e 19 foram apenas avaliadas em pénis circuncisados pois são as zonas da cicatriz da cirurgia.


Através da análise destes valores é possível observar que a circuncisão remove as partes mais sensíveis do pénis. Daí o seu efeito na sexualidade ser uma questão com bastante discussão.


Impacto psicológico da circuncisão

Para compreender os efeitos da circuncisão a longo prazo, é necessário rever os efeitos sobre a criança. A questão da dor infantil é muitas vezes levantada nos debates sobre a circuncisão. Alguns médicos acreditavam que o procedimento tinha de ser feito no início da vida, alegando que o sistema nervoso recém-nascido não estava suficientemente desenvolvido para se registrar ou transmitir impulsos de dor. De acordo com estudos mais recentes, essa crença era "o grande mito" de médicos sobre dor infantil. O facto de os bebés não poderem resistir fisicamente e interromper o procedimento de circuncisão torna mais fácil ignorar a sua dor.


As principais razões para não se administrar anestesia na circuncisão infantil até à década de 1990 eram a não familiaridade com o seu uso e os respectivos efeitos secundários da mesma, a crença de que a circuncisão causava pouca ou nenhuma dor nessa faixa etária e a crença de que a dor da anestesia era tão elevada quanto a dor da circuncisão.


Estudos anatómicos, neuroquímicos, fisiológicos e comportamentais confirmam que as respostas dos recém-nascidos à dor são semelhantes à dos adultos, no entanto, de maior intensidade. Bebés que são circuncidados sem anestesia, além de experienciarem uma grande dor, têm também dificuldade na respiração e correm risco de asfixia. Foram registados aumento da frequência cardíaca em 55 bpm (1,5 vezes a taxa de referência). Depois da circuncisão, o nível de cortisol no sangue estava aumentado em cerca de 3-4 vezes.
Como um procedimento cirúrgico, a circuncisão tem sido descrito como "entre os mais dolorosos realizados na medicina neonatal". Os investigadores relataram que este nível de dor não seria tolerado pelos pacientes mais velhos. Colocar uma chucha no bebé durante a circuncisão reduz o choro, mas não afeta a resposta hormonal à dor. Uma criança também pode entrar em estado de choque para escapar à intensidade da dor.


Antes de meados dos anos 1980, a anestesia não era usada porque a dor infantil era negada pela comunidade médica. Em 1994, um anestésico (injecção local, a melhor opção testada) ainda não era tipicamente administrado, devido à falta de familiaridade com o seu uso, bem como a crença de que ele apresenta um risco adicional. Quando se administra anestesia, há o alívio de alguma dor, mas não bloqueia toda a dor e o efeito da anestesia diminui antes da dor pós-operatória diminuir.


É muito comum haver mudanças comportamentais resultantes da circuncisão em crianças. Pode interferir com a ligação mãe-bebé e a alimentação. Tem sido registado um aumento da irritabilidade, variação nos padrões de sono e alterações na interação materno-infantil depois da circuncisão. Investigadores canadenses relatam que, entre os 4-6 meses de idade, durante a vacinação, os bebés circuncidados tinham um aumento da resposta à dor comportamental e choraram por períodos significativamente mais longos do que os bebés não circuncisados. Esse estudo sugere que a circuncisão pode alterar permanentemente a estrutura e função das vias neurais em desenvolvimento.


A dor da circuncisão e as alterações para a interação mãe-bebé observada após a circuncisão levanta a questão dos efeitos sobre a mãe. Alguns pais arrependem-se da circuncisão do seu filho e dizem que gostariam de ter mais conhecimento mais sobre a circuncisão antes de consentirem a mesma.


Os pais podem não expressar fortes reacções contra a circuncisão de um filho por duas razões possíveis.
1 - Os sentimentos gerados pela circuncisão são tão dolorosos e geralmente não são apoiados pela comunidade. Assim tendem a ser reprimidos.
2 - Como descrito anteriormente, se a criança entra em choque traumático, não chora, e os pais tendem a interpretar a falta de choro como um sinal de que a circuncisão não é dolorosa.

A circuncisão como um trauma

De acordo com o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), a descrição de um evento traumático inclui um evento que está além da experiência humana, tal como agressão (sexual ou físico), tortura, e ameaça à integridade física. Uma agressão é um ataque físico; a tortura é uma dor severa ou angústia. Um evento traumático não tem em conta a intenção ou o propósito, focando-se apenas no acto em si e naquilo que a vítima experiencia.
Do ponto de vista do bebé ou da criança, todos os elementos que descreve um evento traumático aplicam-se à circuncisão. O procedimento envolve ser preso à força, ter uma parte do pénis cortado, e experienciar dor extrema. Com base na natureza da experiência e tendo em conta as respostas fisiológicas e comportamentais extremas, circuncisão é traumático para a criança.




Conclusões

"Estes, então, são os genitais humanos. Considerando a sua enorme delicadeza, complexidade e sensibilidade, poderia-se imaginar que uma espécia inteligente como o homem os deixaria em paz. Tristemente, este nunca foi o caso. Durante milhares de anos, em diferentes culturas, os genitais foram vítima de uma incrível variedade de mutilações. Para órgãos que têm a capacidade de nos dar um prazer imenso, foi-lhes dada uma enorme quantidade de dor." (Morris, 1985)

Existe cada vez mais acesso à higienização nos países desenvolvidos, assim deixa de fazer sentido realizar-se a circuncisão, de forma rotineira, em recém nascidos como medida de prevenção contra a falta de higiene e as suas consequências.
Nos países europeus a prevalência da circuncisão tem vindo a diminuir e é principalmente aplicada por indicações médicas ou relacionadas com a religião Muçulmana ou Judaica.
Grande parte dos homens que nasceram antes dos anos 1990 e que foram circuncisados nos primeiros dias de vida, tiveram a intervenção sem anestesia. Numa análise efectuada ao cérebro de um um recém nascido mostra que o procedimento realizado sem anestesia afecta as áreas ligadas ao raciocínio, percepção e emoções. Esta informação está de acordo com as observações feitas em homens adultos onde são diagnosticadas várias alterações psicológicas resultantes do facto de terem sido circuncisados. Neste momento, todos esses homens que nasceram antes da década de 1990 e que foram circuncisados sem anestesia, têm no mínimo 30-35 anos de idade.

É importante que as consequências da circuncisão sejam cada vez mais divulgadas e do conhecimento público. Dessa forma evita-se que se mantenha a prática de forma indiscriminada e permite-se aos homens que se sintam lesados, que possam procurar ajuda especializada.



Bibliografia

Livros:
 

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Mantak Chia; W.U. Wei – Sexual Reflexology – The Tao of Love and Sex, Universal Tao Publications, Tailândia, 2002, pp.39


Artigos em publicações periódicas:
 

Gao, Jingjing; Xu, Chuan; Zhang, Jingjing;Liang, Chaozhao; Su, Puyu;
Peng, Zhen; Shi, Kai; Tang, Dongdong; Gao, Pan; Lu, Zhaoxiang; Liu, Jishuang; Xia, Lei; Yang, Jiajia; Hao, Zongyao; Zhou, Jun; Zhang, Xiansheng, Effects of Adult Male Circumcision on Premature Ejaculation: Results from a Prospective Study in China, BioMed Research International, 2015, pp.1

 

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Artigos de jornais e revistas:
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Internet:
 

http://www.who.int/reproductivehealth/publications/rtis/9789241596169/en/
http://www.circinfo.net/rates_of_circumcision.html
http://www.circinfo.net/anesthesia.html
http://www.cirp.org/library/psych/goldman1/
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http://www.circumcision.org/brain.htm
http://www.circumcision.org/psych.htm
http://www.danwei.org/newspapers/summer_circumcision.php
http://mg.co.za/article/2012-09-07-00-circumcision-issue-cuts-two-ways


Imagens:

Artigo escrito, traduzido e editado por Jorge Ribeiro, baseado no trabalho do mesmo para a cadeira de Ginecologia e Andrologia do 5º ano da ESMTC.