Disfunção Eréctil

A Disfunção Eréctil (DE) é a incapacidade constante ou recorrente de obter ou manter uma erecção, não permitindo a actividade sexual, durante pelo menos 3 meses.
A DE foi conhecida anteriormente como impotência sexual. Verifica-se uma transformação do termo impotência para o termo disfunção eréctil.
Actualmente o primeiro é tido como uma desordem psicossexual e o segundo termo refere-se a uma etiologia principalmente orgânica e susceptível de medicação.

A DE pode atingir os homens de qualquer idade, tornando-se mais frequente em homens com idade avançada. Tem uma prevalência de cerca de 13% em Portugal (Episex-pt, 2006), e continua a ser para muitos um tema abordado com dificuldade, até com o médico de família.

A Disfunção eréctil é caracterizadas por:
·       Ausência de erecção ou rigidez peniana
·       Erecção parcial
·       Erecção fugaz e rápida
·  Erecção dismórfica, por alterações congénitas e/ou adquiridas dos corpos cavernosos.

A incapacidade ocasional em manter uma erecção acontece à maioria dos homens e geralmente não será causa de maior preocupação. Os problemas recorrentes deverão ser avaliados.


Fisiologia da erecção masculina

É importante perceber o mecanismo normal e fisiológico da erecção masculina Antes de descrever os processos patológicos que levam à disfunção eréctil.

O mecanismo da erecção é uma resposta hemodinâmica que resulta da interacção de mecanismos psíquicos, neurológicos, endócrinos e miogénicos.
Do ponto de vista mecânico, a erecção ocorre como consequência de um afluxo de sangue aos tecidos erécteis do pénis.
Este afluxo pode ocorrer devido a estimulação lgenital ou erógena (representação mental que envolve um reflexo psicógeno).

O processo de erecção psicogénica envolve a integração de estímulos auditivos, visuais, gustativos e olfactivos ao nível do hipotálamo que depois desencadeiam impulsos para os centros medulares localizados de D11-L2 e de S2-S4. Por seu lado, o processo da erecção reflexogénica é provocada por estímulos tácteis a nível genital que desencadeiam um arco reflexo a nível sagrado. Frequentemente estes dois mecanismos estão associados e são sinérgicos.

Há que mencionar ainda o processo de erecção nocturna, este mecanismo é mediado via Sistema Nervoso Central (SNC) e ocorre durante a fase de sono REM (Rapid Eye Movement). De acordo com alguns autores este último mecanismo garante a oxigenação do tecido eréctil.

Os mecanismos que desencadeiam a erecção libertam neurotransmissores que originam uma contracção do tecido eréctil e simultaneamente um relaxamento das fibras musculares no interior dos corpos cavernosos e esponjoso. Este relaxamento permite o afluxo de sangue ao pénis. A erecção inicia-se pela descontracção, há autores que consideraram este acontecimento como o fenómeno-chave para que ocorra erecção. O relaxamento seguido da vascularização comprime progressivamente as veias de drenagem impedindo, desta forma, que o sangue retorne – mecanismo veno-oclusivo.

O processo da erecção pode ser sub-dividido em 4 fases:
·       Fase de repouso: ausência de impulsos centrais.
·       Fase de preenchimento: aumento de fluxo sanguíneo.
·       Fase de rigidez completa: bloqueio do retorno venoso.
·       Fase de detumescência: esvaziamento dos corpos cavernosos.

Após a ejaculação produzem-se substâncias que contraem as cavidades anteriormente preenchidas com sangue, libertando-se os sistemas de saída de sangue, facilitando a drenagem e permitindo ao órgão a recuperação do seu estado de flacidez basal, este processo corresponde à última e 4ª fase do processo da erecção.

As disfunções erécteis podem ter origem em várias causas que perturbem algum dos seguintes mecanismos:
·       Capacidade do pénis para se encher de sangue.
·       Equilíbrio entre a entrada e saída de sangue desse órgão.
·       Controlo pelo sistema nervoso, através da componente consciente/voluntária e da componente reflexa/involuntária.


CAUSAS DA DISFUNÇÃO ERÉCTIL

Encarada anteriormente como uma patologia de causas primariamente psicológicas, a disfunção eréctil resulta com maior frequência de uma causa física, considera-se actualmente que as causas são multifactoriais resultando de uma combinação de factores físicos e psicológicos.

A etiologia mais comum da DE são a doença coronária, a aterosclerose, a Diabetes, a obesidade, a hipertensão arterial e a síndrome metabólica. Nalguns casos pode representar o primeiro sinal destas doenças.

Doença Vascular: A arteriosclerose (endurecimento das artérias), problemas cardíacos, derrame cerebral, hipertensão (pressão arterial elevada) e colesterol elevado, são factores que afectam a entrada e a saída do fluxo de sangue para o pénis. A doença vascular é, em geral, a causa física mais comum da Disfunção Eréctil.
Diabetes: Esta doença pode causar a lesão dos nervos (neuropatia) e dos vasos sanguíneos (arteriosclerose) que levam o fluxo sanguíneo ao pénis. Dois em cada três homens com diabetes podem ter Disfunção Eréctil.
Doenças Nervosas: Os problemas neurológicos incluem a lesão da medula espinal, esclerose múltipla e degeneração dos nervos, decorrente da diabetes ou do alcoolismo.
Problemas Hormonais: Níveis reduzidos de hormonas podem causar Impotência Sexual.
Cirurgia: Intervenções cirúrgicas do intestino grosso, do recto ou da próstata e situações de radioterapia na área pélvica podem lesionar os nervos e os vasos sanguíneos, e causar problemas de Impotência Sexual.
Doenças Crónicas: Caso lhe tenha sido diagnosticado uma doença crónica, pergunte ao seu médico se essa situação pode afectar a sua saúde sexual.
Efeitos Secundários dos Medicamentos: Existe uma vasta gama de medicamentos que podem originar problemas de Disfunção Eréctil. Se estiver a ser medicado, e tiver problemas de erecção, pergunte ao seu médico sobre os possíveis efeitos secundários da medicação e quais as possíveis alternativas e soluções.


Factores Relacionados com o Estilo de Vida

Álcool: O consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode reduzir imediatamente a capacidade de manter uma erecção satisfatória. A longo prazo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode causar lesões do fígado e dos nervos e desequilíbrios hormonais.
Estilo de Vida Sedentário: A ausência de exercício físico pode levar à Impotência Sexual.
Tabaco: Os fumadores têm uma maior probabilidade de vir a ter problemas de Impotência Sexual, do que os não fumadores, de acordo com estudos médicos efectuados.


Origem Psicológica

As causas psicológicas representam 10 a 20 % dos casos e podem ocorrer isoladas ou em conjunto com uma ou mais causas físicas.
Ansiedade: Quando um homem é muito ansioso em relação ao seu desempenho sexual, a capacidade sexual pode ser afectada.
Stress: Situações de stress também podem afectar o desempenho sexual.  
Depressão: Homens com Disfunção Eréctil podem apresentar sintomas de depressão. Homens com depressão, também podem apresentar problemas de erecção.
Problemas de relacionamento: Problemas de relacionamento sexual com a companheira, familiares, ou com aspectos financeiros, podem afectar negativamente o desempenho sexual.

FACTORES DE RISCO

Envelhecimento: incidência de cerca de 80 % no grupo etário acima dos 75 anos;
Doenças crónicas: Diabetes Mellitus, aterosclerose, doença renal, hepática, pulmonar, nervosa, endócrina, crónicas (Diabetes Mellitus, Ateroesclerose, Hipogonadismo,…);
Tratamentos médicos crónicos: anti-hipertensores, anti-depressivos, anti-histamínicos, hipnóticos, tratamento médico do cancro da próstata…;
Tratamentos cirúrgicos: por lesão dos nervos pélvicos (prostatectomia radical, cistectomia,..);
Traumatismos: associados ou não a fracturas da bacia;
Abusos sociais ou comportamentais: tabaco, álcool, drogas;
Stress, ansiedade, depressão: Causas psicológicas da disfunção eréctil;
Obesidade;
Síndrome metabólica: caracterizada por obesidade, dislipidémia, hipertensão arterial e resistência à Insulina;
Ciclismo: compressão prolongada dos nervos e vasos perineais responsável por DE temporária.


DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da DE começa na elaboração de uma história clínica e psico-sexual detalhada. Segue-se um exame físico assim como um controle analítico e hormonal básico.
Quando justificado o estudo complementar poderá incluir a realização de alguns testes, entre eles: análise de sangue e de urina, exames para avaliação do sistema nervoso e testes de avaliação vascular.
Podem ser pedidos pelo médico alguns dos seguintes exames: eco-doppler peniano, estudo neurológico aprofundado, provas de tumescência e rigidez penianas nocturnas, caverosometrias e avernosografias, assim como uma consulta psicológica.

TRATAMENTO

Antes dos Medicamentos
Antes de começar a usar qualquer medicamento ou outros tratamentos para a Disfunção Eréctil, poderão ser benéficas mudanças ao nível do estilo de vida, que podem implicar:
·       Actividade física;
·       Dieta alimentar para ajudar na redução dos níveis de gordura no sangue (triglicéridos e colesterol);
·       Parar de fumar;
·       Reduzir o consumo de álcool;
·       Controlar os níveis de stress e fadiga.


Opções de tratamento

Medicamentos Orais:
Os inibidores da fosfodiesterase 5 (PDE5) são uma classe de medicamentos orais. Apresentam-se como terapêuticas de primeira linha. Estão disponíveis os seguintes fármacos: Sildenafil (Viagra®), Tadalafil (Cialis®) e Vardenafil (Levitra®). Sendo moléculas do mesmo grupo farmacológico (inibidores das fosfodiesterases), actuam de modo semelhante aumentando os níveis de óxido nítrico no corpo cavernoso, relaxando assim o músculo liso e favorecendo deste modo a irrigação peniana. Não provocam automaticamente a erecção, favorecendo-a em resposta à estimulação psicológica ou física. Não obstante as suas semelhanças estes fármacos têm indicações preferenciais consoante o tipo de doente.
Estes fármacos são contra-indicados nos doentes com angina de peito medicados com nitratos e deverão sempre ser usados com precaução em caso de doença cardíaca grave, acidente vascular cerebral, diabetes incontrolada e hipo ou hipertensão arterial. Qualquer medicação crónica concomitante deverá ser mencionada.
Prostaglandina E (Alprostadil): Esta hormona relaxa o músculo liso peniano, aumentando o fluxo sanguíneo. Em Portugal encontra-se apenas sob forma injectável para administração intra-cavernosa (Caverject®). Poderá ser potenciado o seu efeito com Papaverina e/ou Fentolamina. Existe ainda uma forma de administração intra-uretral (Muse®).
Reposição hormonal: Indicada nos doentes com valores baixos de Testosterona plasmática. Existe sob a forma transdérmica (Testim®, Testogel®) e injectável (Sustenon®, Testoviron®). Este tipo de tratamento implica sempre o doseamento do PSA.
Aconselhamento Sexual / Terapia Sexual: Consultas com um psicólogo ou psiquiatra podem ajudá-lo a identificar, a compreender e a lidar com os problemas sexuais, bem como aprender a controlar as situações de stress durante o acto sexual, a aumentar os estímulos e focar a atenção no prazer e na intimidade do casal.
Auto-injecção Peniana: Medicamento que ao ser injectado pelo doente na parte lateral do pénis, antes da actividade sexual, vai aumentar o fluxo sanguíneo no pénis e permitir a erecção.
Terapêutica Intra-uretral : Cápsula de um medicamento que ao ser inserida na uretra aumenta o fluxo sanguíneo.
Dispositivo de Vácuo: normalmente consistem em um aparelho em forma de um cilindro que produz uma pressão negativa manualmente ou automaticamente (motor) criando um vácuo no interior e ao redor do pénis fazendo com que haja um intumescimento ou crescimento do pénis, estimulando a circulação sanguínea.
É indicado em casos de curvatura e fibroses penianas para estimular o tecido cavernoso e promover erecções, mas podem existir contra-indicações e causar lesões penianas se utilizados sem orientação.
Prótese Peniana: A colocação de prótese peniana é sugerida ao doente quando nenhum dos outros tratamentos foi bem sucedido. A prótese peniana é um dispositivo inserido no pénis através de cirurgia e existem vários tipos de tratamentos para prótese peniana, dependendo da causa.
Cada um dos diversos tipos de tratamento tem indicação precisa e deve ser seleccionado por um médico, para evitar risco de complicações.



DE ACORDO COM A Medicina Tradicional Chinesa

De acordo com a MTC a DE resulta, principalmente, de uma deficiência do Rim (R) e de acumulação de Humidade-Calor (HMC) que provocam um relaxamento do pénis no entanto existem outros factores a considerar.

A MTC considera as seguintes causas da DE:
·       Deficiência congénita/patologia crónica
·       Alterações emocionais
·       Dieta inadequada
·       Invasão de factores patogénicos externos

Diferenciação de síndromes
Normalmente a raiz da DE tem uma síndrome de deficiência por detrás, contudo, os sintomas são mais de excesso. Há que diferenciar os padrões de excesso e de deficiência.

Deficiência: Deficiência do C e do BP; Deficiência C e R (pavor e medo); Vazio yin R com fogo; declínio do Fogo Vital;
Excesso: Estagnação Qi do F; HMC no meridiano do F; Frio no meridiano do F; Estase de sangue.

Os padrões de deficiência são acompanhados pelos seguintes sinais e sintomas: emissão espontânea ocasional; fraqueza ou dor lombar; extremidades frias; tonturas; tinnitus; palpitações; respiração curta; face pálida; língua pálida e pulso fraco (tendencialmente em corda).

Os padrões de excesso são acompanhados, regra geral, pelos seguintes sinais e sintomas: erecção fraca e de curta duração, eventualmente ejaculação precoce; urina amarela; língua com capa amarela e gordurosa; e um pulso rápido e deslizante

Tratamentos pela MTC
- Acupunctura
- Alteração de hábitos de vida
- Dietética
- Chi Kung (Ex: Órbitra microcósmica, exercícios de Kegel)
- Fitoterapia
- Massagem testicular


Fetiches

 

O termo fetiche deriva do francês – fétish, mas originalmente provém do português – feitiço, sortilégio, sacrifício, o qual, por sua vez, tem origem no latim – facticius que significa artificial, fictício, ou facere, que significa fazer;

 

O fétiche era um objeto que se acreditava que tinha poderes sobrenaturais, positivos ou negativos, ou em particular, um objecto feito à mão, com poderes sobre os outros. Inicialmente este conceito foi usado pelos portugueses, para se referir aos objetos utilizados nos cultos religiosos dos negros da África Ocidental. Este termo foi mais tarde introduzido e divulgado na Europa.



Segundo Freud, o fetichismo é um desvio do interesse sexual para algumas partes do corpo do parceiro, ou para alguma função fisiológica, ou para peças de roupa, adorno, entre outros.
Pode ser utilizado, quer para substituir o parceiro na atividade sexual, como ser integrado na própria relação sexual.


Sigmund Freud acreditava que o fetichismo sexual no homem (o fetichismo sexual feminino não foi abordado por Freud), era proveniente de 3 factores:

1. do medo inconsciente dos genitais da mãe;

2. do medo universal relativo à castração;

3. da fantasia masculina de que “a mãe tinha tido anteriormente um pénis, mas que tinha sido cortado”.


O fetichismo é considerado uma patologia?

Freud considerava o fetichismo como um desvio da normalidade até ao limite da perversão (atualmente denominada como parafília) e do foro patológico.


No entanto, a psicologia atual considera que todas as pessoas possuem um determinado grau de fetichismo dentro delas, ou seja, é normal um indivíduo sentir uma atracão por uma característica física de outra pessoa, (ex. seios grandes, as nádegas, os pés, etc), ou por adereços (ex. um tipo específico de roupa: pele, seda, borracha, cabedal, lingerie, saltos altos, ou outro tipo de roupa erótica), sendo “aceitável” que a pessoa use esses aspectos para aumentar a excitação ou prazer sexual.

O que deixa de ser um comportamento normal é a pessoa não conseguir obter prazer sexual sem o uso do fetiche e que esses objetos (ou fixações) sejam mais importantes que a outra pessoa, ou que substituam a cópula.



Podem considerar-se como parafilia – padrão de comportamento sexual em que há um desvio do acto sexual para um objecto ou situações consideradas exteriores ou menos comuns – os casos em que o fetichismo substitui o ato sexual em si e que a fonte de prazer sexual é desviada para fora do ato sexual normal.

Após Freud ter considerado o fetichismo um desvio sexual pervertido, o termo reaparece nos escritos de um conhecido psicólogo francês do séc. XIX: Alfred Binet, como um comportamento sexual atípico.

É apenas na segunda edição da DSM - “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-II, 1968 )” que o fetichismo ganha a sua conotação patológica. O fetichismo aparece como subcategoria dos “desvios sexuais” e sem uma definição concreta.

  
Esta é uma questão delicada, uma vez que as considerações respeitantes aos comportamentos considerados parafílicos dependem, num grau elevado, das convenções sociais em prática no momento. 
Recordemos que, em tempos, certas práticas como a homossexualidade, o sexo oral, o sexo anal e até mesmo a masturbação foram consideradas patológicas (parafílicas).

Charles Allen Moser, médico americano de medicina interna com especialização em medicina sexual, lançou vários artigos com discussões sobre as parafilias, o uso do viagra pelas mulheres, o fetiche por pés, o sadomasoquismo, o orgasmo, entre outros. No seu livro – Paraphilia: a critique of a confused concept - Charles apenas considerou como doenças mentais parafilicas a pedofilia, a hebefilia (preferência por indivíduos de idade púbere: 11 aos 14 anos), o sadismo, a autogynephilia (excitação sexual do indivíduo masculino ao imaginar-se mulher) e a zoofilia.

Charles Allen Moser criticou os critérios da DSM e exigiu que as parafilias fossem removidas do manual, argumentando que “o diagnóstico dos comportamentos sexuais alternativos como doenças mentais tem sido usado para justificar a opressão das minorias sexuais e para atingir objectivos políticos. A revisão desta questão não é apenas uma necessidade a nível científico, mas sim uma necessidade de respeito pelos direitos humanos.”

 

Apesar de esta visão ter sido extremamente criticada pelos conservadores, este e muitos outros esforços, levaram a que a quarta e quinta edições da DSM afirmassem que a parafilia não pode ser diagnosticada como uma doença do foro psiquiátrico a não ser que seja fonte de stress para o indivíduo ou prejudiue terceiros.

Assim, ficou aceite a distinção entre o indivíduo saudável que tem um comportamento sexual incomum e o indivíduo que sofre de uma patologia mental que origina um comportamento sexual incomum.


Tratamento

Embora se considere atualmente que os fetiches podem ser manifestações de carácter não patológico, o objecto-fetiche pode tomar uma dimensão extrema e influenciar a vida dos indivíduos que o adoram, determinando algumas das suas ações e tornando-se numa patologia.

Nestes casos, de acordo com diversas investigações, existem 4 tipos de tratamentos:


1. Terapia cognitivo-comportamental
2. Outras
3. Medicação
4. Psicanálise

 





Parafilias mais comuns


Sadismo Sexual

A excitação e prazer são obtidos com o sofrimento psicológico ou físico da vítima, incluindo humilhação;

Masoquismo

O prazer é obtido com a dor ou a sensação de dor;

Exibicionismo

Desejo incontrolável de exibição dos órgãos genitais a outros;

Voyeurismo
Obtenção do prazer sexual com base na observação de outras pessoas, que podem estar nuas, em roupa interior, ou outras roupas apelativas, ou a praticar relações sexuais.



O Fetichismo à luz da MTC

Tal como anteriormente referido, Fetichismo não é considerado patologia mas pode ser considerado patológico quando entra no campo da obsessão ou mania, em que o fetichista não consegue prescindir do objeto ou parte do corpo do outro para obter prazer sexual.

Pode ser também patológico quando o objeto em uso danifica de alguma forma o corpo do indivíduo.

A MTC, por ser uma medicina holística, vê o individuo não só de uma perspetiva física mas também emocional, mental e energética.

Sendo assim, do ponto de vista da MTC qualquer emoção tem um impacto no corpo energético e propicia a pessoa a desequilíbrios energéticos que tocam órgãos em especifico e com o passar do tempo trazem à tona sintomas associados e posteriormente patologias (energéticas, físicas ou psicológicas). 

A partir do momento que o fetiche causa algum tipo de desconforto no individuo, caminha para a enfermidade.

À luz da MTC pode enquadrar-se este tipo de comportamento desviado ou fora do normal – obsessão – no padrão de doenças mentais e emocionais, em que ocorre uma obstrução do Shen.

 

Por outro lado a MTC relaciona o acto sexual com a mente (Shen).

Existe uma relação Coração (Shen/Mente) à Rim (Jing/Essência) e de acordo com a Ginecologia na MTC, o ‘útero’ é quem faz esta ligação e está diretamente ligado ao cérebro (pineal, hipófise, hipotálamo) através do Coração (Shen/Mente).

Neste caso, o ‘útero’ é comum tanto para o Homem, denominado BAO (“Habitação do Esperma”), como para a Mulher, denominado de ZI BAO (“Bolsa da Criança”).


No caso da Mulher, este armazena o Sangue, responsável pela fisiologia da Menstruação e trata-se de uma estrutura física. 

No caso do Homem, o esperma é fabricado nos testículos e a estrutura não é física.

 

O ‘útero’ faz a ligação ao Coração através de um canal chamado BAO MAI (Canal do Útero) e faz a ligação ao Rim através de um canal chamado de BAO LUO (Meridiano do Útero), intervindo assim na regulação do Eixo Shao Yin (Coração – Rim), criando um arco triangular no qual favorece o contacto entre estes dois órgãos.

 

O Útero tem um papel de regulação emocional durante toda a vida da Mulher, ele estimula o Qi Mental afeto às emoções e controla os excessos. O Útero está longe de se limitar à função de reprodução, pois é também a matriz das emoções. Partindo deste princípio, problemas sexuais podem desencadear problemas mentais e vice-versa.

 

Ao longo da realização deste trabalho, procurou perceber-se de que forma o uso de fetiche de uma forma sistemática – fetichismo -  pode ser uma patologia ou  pode proporcionar o enriquecimento e a realização sexual, e como tal, uma parte importante na vida e saúde de um indivíduo.


Foram identificados três tipos de comportamentos relativamente ao uso de fetiches:

 

1 – Aqueles em que para quem o uso de fetiches, fantasias, ou outros “ingredientes” do género, proporciona uma relação sexual tornando-se mais estimulante e enriquecida;

2 – Aqueles em que a ausência de estímulo sexual pode ocorrer, porque o indivíduo, neste caso o fetichista, está desprovido do “seu fetiche”, ou da sua fantasia, e aí revela dependência do mesmo para conseguir obter excitação sexual;

3 – A relação sexual ou o acto sexual ocorre, mas sem o uso de quaisquer adereços, objectos ou fantasias, porque as pessoas envolvidas não sentem necessidade e não procuram aumentar a optimização ou maximização sexual.


O segundo tipo parece ser aquele que é o verdadeiramente patológico, mas também aquele que é menos frequente, sendo raro as pessoas que admitem este distúrbio mental, tornando muito difícil o seu tratamento.

 

Embora o tipo três não aparente indiciar qualquer aspecto patológico, pois o acto sexual parece decorrer sem problemas, se a relação se prolongar, é nossa opinião que poderá haver uma tendência para o empobrecimento da relação, dado a importância da presença constante de uma dose de criatividade e imaginação, em qualquer relação, que vá além do corpo do parceiro e das diversas posições que o acto sexual pode tomar.

É muito importante enriquecer uma relação, e maximizar todos os aspectos: físico, emocional, mental e espiritual.

A “pobreza” na criatividade e imaginação, poderá gerar um Shen vazio, podendo enfraquecer o Qi e consequentemente o Jing, e a energia Vital.




O uso de fetiches, se moderado e não gerar dependência, se não prejudicar nem ofender o parceiro ou outras pessoas envolvidas, é saudável e recomenda-se.

O fogo do Ming Men (a energia vital) deve manter-se activo e dinamizar as restantes funções do organismo, manter activa  e em bom estado, a mente (Shen).


Artigo realizado por Sara Finotecom base no trabalho da disciplina 'Ginecologia e Andrologia' da ESMTC de Maria do Carmo Wengorovius, Sara Venda e Joana Rodrigues.


Comportamentos parafílicos e seus registos históricos

Necrofilia
A necrofilia é um tipo de parafilia em que o indivíduo se sente sexualmente excitado com cadáveres podendo mesmo chegar a ter relações sexuais com os mesmos. A psicologia considera que por detrás deste comportamento bizarro está uma necessidade inconsciente de ter relações com um parceiro que não ofereça qualquer resistência ou faça qualquer tipo de julgamento e que, assim, permita ao indivíduo praticar livremente e dominar por completo o acto sexual.
Há registos desta parafilia em escritos da Grécia antiga; Herodotus, historiador grego que viveu no séc. XV AC, deixou documentado que os egípcios deixavam os cadáveres apodrecerem durante 4 dias antes da mumificação de forma a evitar as relações sexuais com as múmias.

Zoofilia
A zoofilia é o nome dado à prática sexual com animais em que o indivíduo não faz distinção entre a excitação sexual provocada por um animal ou por um ser humano.
Mais uma vez, é possível ler nos escritos de Herodotus registos desta prática na cultura egípcia. Herodotus escreveu que os egípcios dominavam a prática do acto sexual com crocodilos.
Os romanos ficaram marcados na história como um povo libertino com uma busca intensa e constante pelo prazer sexual. A zoofilia era uma prática regular dos romanos com uma variedade imensa de animais e há referências de que a mulher romana se masturbava com cobras “domesticadas”.

Sadomasoquismo
O termo para descrever a parafilia que envolve os actos sexuais em que os intervenientes interpretam personagens dominantes e submissas e cujo objectivo é obter prazer sexual através da dor e da humilhação deve o seu nome a Marquês de Sade.
Embora Marquês de Sade tenha dado origem ao nome, não foi ele o inventor da prática.
A imagem em baixo está presente na Marquis de Sade (1740-1814), um escritor francês conhecido pelas suas obras eróticas que exploravam o alcançar da excitação sexual e do prazer através da dor e da crueldade.
No sadomasoquismo, o parceiro dominante deve causar dor física ao parceiro submisso com prévio consentimento.
O nível de dor física é definido pelo parceiro submisso assim como o grau de humilhação pelo qual vai passar.

Asfixia autoerótica

Este é o termo técnico para a prática que consiste na indução de um estado de asfixia cerebral por um indivíduo durante a masturbação.
Trata-se de uma preferência por estímulos sexuais pouco usuais que engloba um elevado número de riscos podendo mesmo levar à morte.
O psiquiatra e antigo diretor do serviço de Psicoterapia Comportamental do Hospital Júlio de Matos, Afonso de Albuquerque, afirma que cinco a dez pessoas morrem anualmente em Portugal por falta de sangue no cérebro durante esta prática.

Este estado é conseguido através da constrição do pescoço por um cinto, ou um laço, ou por suspensão (por exemplo, de uma árvore).
O fluxo sanguíneo cerebral é restringido parcialmente, resultando em falta de oxigénio, o que diminui a inibição cortical normal, resultando num orgasmo mais intenso, mas também num risco de morte acidental, se o praticante desmaiar antes de poder alargar a constrição do laço.
No séc. XVI, a asfixia autoerótica era usada como tratamento para a disfunção eréctil. Esta prática foi desenvolvida após se te observado que as vítimas masculinas dos enforcamentos públicos, ao morrer, tinham ereções.

Podofilia

Trata-se de uma parafilia em que o indivíduo se sente atraído e sexualmente excitado por uma parte do corpo não-sexual: os pés.
Os primeiros registos desta parafilia datam de 1220 D.C.


Alguns historiadores afirmam que este fetiche surgiu pelo medo da contracção das DST’s (há mais registos históricos de Podofilia durante os séc. XVI e XIX durante as epidemias de sífilis).