História da Mulher


A Mulher na pré-história

A figura feminina na Pré-História tinha um enorme peso nas sociedades de todo o mundo.
Não eram sociedades matriarcais, mas sim sociedades matricêntricas (a mulher não dominava) centradas na mulher pela da fertilidade. Assim, pela sua inexplicável habilidade de procriar, as mulheres eram elevadas à categoria de divindidades.

Do período Paleolítico foram encontradas estatuetas femininas, pinturas e objectos, que cultuavam a mulher como um ser sagrado.
O elevado número de vestígios encontrado revela que o feminino ocupava um lugar primordial.

A divisão do trabalho nas sociedades primitivas ocorreu entre os dois sexos, cabendo ao homem a caça e a pesca, e à mulher a colecta de frutos primeiramente e a cultura da terra posteriomente.

Um marco na História da arte do Paleolítico é a Vénus de Willendorf:

A Vénus de Willendorf, também conhecida como Mulher de Willendorf, foi descoberta no sítio arqueológico do paleolítico, perto de Willendorf, Áustria.
É uma estatueta com aproximadamente 11 cm de altura representando estilisticamente uma mulher. Não pretende ser um retrato realista, mas sim uma idealização da figura feminina.
A vulva, seios e barriga são extremamente volumosos, de onde se infere uma relação com a fertilidade. Os braços, muito frágeis e quase imperceptíveis, dobram-se sobre os seios e não têm uma face visível, sendo a cabeça coberta do que podem ser rolos de tranças, um tipo de penteado ou mesmo vários olhos.




A Mulher no Egipto

No Egipto, a mulher tinha um estatuto previlegiado (comparando com as mulheres das civilizações antigas), dado pela igualdade entre sexos como um facto natural. Por exemplo, era comum atribuir similar importância à filiação paterna e materna.
A visão institucional da mulher no Antigo Egito aparece claramente em alguns textos (Instruções de Sabedoria), e neles se estabelecia a maioridade feminina. Quando atingida, possibilitaria a escolha do marido mediante consentimento paterno. Quando casada, a mulher podia intervir na gestão do património familiar.

Em relação ao trabalho, a tecelagem constituía uma ocupação reservada ao sexo feminino, competindo-lhe tosquiar as ovelhas e tecer a lã. Podia também trabalhar na ceifa de trigo, no preparo da farinha e da massa do pão. As mulheres mais pobres trabalhavam em grandes obras de construção pública.



A Mulher na Grécia

A sociedade grega do Período Clássico, era equiparada a um clube de homens, pois estes não permitiam o acesso da mulher ao saber, desvalorizando tudo que a ela dizia respeito, incluindo a beleza.
Nem a maternidade escapava da desvalorização sistemática, sendo as mulheres vistas apenas como receptoras da semente masculina.
Segundo aristóteles, cabia aos homens produzir o esperma, a causa eficiente
da geração e o objetivo fundamental do casamento era a reprodução, pois a mulher, apesar de efectivamente não ser uma cidadã, trasmitia a cidadania aos filhos.

A inferioridade da mulher no pensamento Grego pode verificar-se pela Política de Aristóteles, que a justifica em virtude da “lei natural”. Cada elemento da sociedade tem as características que à sua posição são necessárias. Segundo Aristóteles não é necessário para a sociedade que a mulher (assim como os escravos) tenham virtudes, logo, não têm.

Em Atenas, uma jovem podia até casar-se sem dote, mas só em casos excepicionais, no entanto, em Esparta, as mulheres pareciam ter uma “liberdade” maior que as Atenienses. Inclusive, Aristóteles faz duras críticas ao comportamento das mulheres Espartanas chamando-as de licenciosas, depravadas e luxuriosas. Acusava-as, principalmente, de “mandarem nos maridos”.


A Mulher na Idade Média

A Igreja Católica medieval considerava a mulher como causa e objecto do pecado, pois tinha como referência a ideia do pecado original, cometido por Eva. Assim sendo, era considerada a porta de entrada para o demónio. Só não eram consideradas assim quando eram virgens, mães, esposas, ou quando viviam em convento.
Estes conceitos estão presentes no Cristianismo desde os primórdios. A fraqueza associada à carne estava intrinsecamente ligada à figura feminina. E vários foram os filósofos que com isso concordaram.
As mulheres eram vistas como criaturas débeis e susceptíveis às tentações do diabo, devendo estar sempre sobre tutela masculina.
A Idade Média foi também palco de uma das maiores perseguições contra a mulher. A "Caça às Bruxas" foi um movimento pelo qual a Igreja, através do Santo Ofício (inquisição), caçou os rituais pagãos. Nestes, a mulher é a base da fertilidade e o corpo feminino o centro da vida.

Contra o movimento pagão, a igreja Católica comandou um massacre e chegou a, num único dia executar três mil mulheres.




Trabalho de Rita Machado Caetano adaptado por Joana Prata