CONTRACEPÇÃO





Neste artigo pretendemos expor os vários métodos de contracepção existentes.


Contracepção Química/Hormonal
Contraceptivos Orais
Contraceptivos Injectáveis
Implantes Contraceptivos
Anel Vaginal
Adesivos Cutâneos
Contracepção de Emergência (Pílula do Dia Seguinte)
DIU hormonal
DIU de cobre

Métodos Contraceptivos de Barreira
Preservativo Masculino e Feminino
Diafragma
Esponja contraceptiva
Espermicidas
Métodos de contracepção Naturais
Determinação do período fértil
Temperatura Basal
Coito interrompido


Contracepção Química/Hormonal

Hoje em dia existem inúmeras formas de contracepção hormonal, embora na realidade todas elas funcionem de forma mais ou menos similar. Todas elas contêm estrogénio e/ou progesterona artificiais que imitam as hormonas que o organismo produz. O corpo responde a esse aumento dos níveis hormonais de diferentes formas, o que permite prevenir uma gravidez. Na sua grande maioria, estas formas de contracepção estão concebidas para suprimirem uma ovulação, ao mesmo tempo que engrossam o muco cervical, criando um pH mais hostil aos espermatozoides. Por outro lado, se outros métodos falharem, e o óvulo for fecundado, a pílula de emergência pode atuar para prevenir a implantação do óvulo no útero (nidação).

A longo prazo estas hormonas têm um efeito sobre o corpo. E é habitual, muitas mulheres que tomaram a pílula por alguns anos, passarem depois por um período de infertilidade após terem deixado de tomar os contraceptivos, que vai desde os 2 ou 3 meses, até a um período de 1 ano.

Podem existir alguns efeitos secundários e potenciais riscos para a saúde possíveis da concepção hormonal, que incluem: ganho de peso, aumento ou decréscimo do acne, náusea e vómito, tonturas, dores de cabeça, depressão, infecções vaginais, hipertensão, perda da líbido, AVC, tumores no fígado (raro), ataques cardíacos, pedra na vesícula (raro), icterícia (raro), cancro cervical, hemorragias vaginais irregulares, menstruação com mais fluxo, amenorreia, ansiedade e nervosismo, alterações de apetite, tensão mamária, aumento ou decréscimo de pelos faciais, perda de cabelo, descargas vaginais, aumento dos folículos ováricos.

Todos estes métodos, embora possam ser eficazes para prevenir uma gravidez, não são meios eficazes de proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis.


1.     Contraceptivos Orais

Desde os anos 60 que os contraceptivos orais ficaram disponíveis às mulheres através de prescrição médica. A pílula é uma escolha muito popular porque é de fácil utilização, é barata e eficiente. Existem dois tipos de pílulas: a pílula combinada e a pílula progestiva.



A pílula combinada é um comprimido que tomado diariamente suprime a libertação dos folículos nos ovários. Isto acontece devido ao aumento dos níveis de estrogénio no corpo fornecidos pela pílula. Contudo, as pílulas de hoje em dia contêm uma concentração menor de estrogénio que as suas precedentes, e como tal, a ovulação pode mesmo assim acontecer numa probabilidade muito baixa.

A pílula progestativa apenas contém progesterona e como tal ganhou o título de “mini-pílula”. Esta pílula é habitualmente prescrita às mulheres parturientes, uma vez que apenas contém progesterona, o que não afecta na quantidade ou qualidade do leite na amamentação, e que não existem evidências de algum efeito secundário que a pílula possa afectar a criança. Durante o período em que é feita a toma desta pílula, grande parte das mulheres, deixam de ter menstruação.

A pílula tomada todos os dias, é uma forma 100% eficiente para prevenir uma gravidez, no entanto, o esquecimento de uma toma, ou tomar a pílula horas depois do normal (principalmente no caso da pílula progestativa), bem como a interferência de certos medicamentos ou antibióticos são aspectos que podem fazer diminuir a eficácia dos contraceptivos orais.
Lybrel: “No More Periods!”

Recentemente entrou no mercado uma nova pílula que suprime o período menstrual durante um ano. É uma pílula combinada que contém uma mistura sintética de estrogénio e progesterona e funciona como a pílula normal, no entanto é tomada todos os dias do ano, sem nenhuma interrupção, deixando de haver período menstrual. Os efeitos secundários a longo prazo desta nova pílula ainda não estão completamente documentados, no entanto, tal como acontece com o métodos injetáveis será de esperar uma perda irreversível da densidade óssea, e irregularidades menstruais futuras, entre outros problemas.

2.     Contraceptivos Injetáveis

Mulheres que procuram um método contraceptivo eficaz e de longo termo, podem optar pelo contraceptivo injetável que apenas precisa de ser administrado 4 vezes por ano. A injeção é dada pelo médico ou enfermeiro a cada 3 meses e funciona prevenindo a ovulação.

Ao contrário do que acontece na pílula diária, que dá uma quantidade mínima hormonal diariamente, o injetável dá à mulher uma dose grande de prostatina o que resulta em efeitos secundários mais pronunciados. Um dos efeitos secundários mais habituais é a ausência de menstruação durante o primeiro ano, que afecta ¾ das pessoas que a utilizam.

O uso dos injetáveis apesar da sua grande eficácia está no entanto associado a uma perda de massa óssea, e um dos efeitos secundários a longo prazo, é que propicia o aparecimento da osteoporose. Outras complicações, mais raras, incluem o aumento do risco de cancro da mama, cancro cervical, icterícia, reações alérgicas severas ou infertilidade.

A eficácia desta forma de controlo de natalidade é muito elevada, como tal não deve ser opção para mulheres que querem ficar grávidas dentro de pouco tempo


3.   Implantes Contraceptivos

Os implantes são outro meio de controlo de natalidade a longo prazo, durante um período até 3 anos. Este método é implantado pelo médico, que insere o dispositivo/cápsula que contém a hormona e que fica mesmo debaixo da pele. Uma vez inserido o implante deixa de ser visível. Desta forma, o organismo recebe uma quantidade estável de progestina (forma de progesterona sintética) o que torna a contracepção muito eficiente. Este dispositivo pode ficar na implantado até 3 anos, mas pode ser removido antes disso.

Os efeitos secundários e complicações são similares ao uso da pílula contraceptiva, sendo que há estudos que associam o seu uso a uma variedade de problemas relacionados com a menstruação, como a amenorreia, menstruações irregulares ou metrorragias. Outros problemas que podem surgir referem-se à possibilidade de reação alérgica da pele ao implante.

Este mecanismo tem a desvantagem de ao final de 3 anos, ter que ser removido cirurgicamente da pele.

4.   Anel Vaginal

O anel contraceptivo, é um pequeno anel transparente que é colocado no interior da vagina, perto do cérvix e que é lá mantido por 3 semanas. Durante esse tempo, vai libertando estrogénio e progesterona para o corpo. Não atrapalha a relação sexual, nem causa incómodo. Tal como a pílula, este método suprime a ovulação e torna o muco cervical mais espesso (criando uma barreira natural ao esperma).  Um novo anel vaginal tem que ser inserido todos os meses. Sendo retirado após a terceira semana, altura onde a menstruação acontece.

A principal vantagem deste método é que permite às mulheres só terem que se preocupar com a contracepção uma vez por mês.


5.  Adesivos Cutâneos

Estes adesivos cutâneos funcionam com a mesma premissa da pílula contraceptiva, isto é, o estrogénio e a progesterona são usadas para suprimir a ovulação e engrossar o muco cervical. No entanto, invés de tomar essas hormonas via oral, este contraceptivo permite que as hormonas sejam continuamente libertadas diretamente para a corrente sanguínea, através da absorção pela pele. Este adesivo pode ser colocado em várias partes do corpo e é lá mantido por 3 semanas consecutivas. Na 4ª semana o adesivo é retirado, e dá-se a menstruação.


6. Contracepção de Emergência (Pílula do Dia Seguinte)

A pílula contraceptiva de emergência é um tipo de contraceptivo oral que pode ser tomada depois do ato sexual não protegido de forma a prevenir uma gravidez. Esta pílula, é também conhecida por como a pílula do dia seguinte, porque tem que ser tomada até 120h após a relação sexual.

Estas pílulas são feitas à base de estrogénio e progesterona ou apenas de progestina, numa concentração bastante mais elevada que uma pílula regular. Este método foi também criado inicialmente nos anos 60, e era sobretudo utilizado para prevenir a gravidez resultante de violação.




As pílulas de emergência podem ajudar a prevenir a gravidez de três maneiras:

- Se os ovários ainda não libertaram o folículo ovárico, esta pílula suprime a ovulação.
- Se o folículo já foi libertado, pode alterar o movimento do óvulo ou embrião e assim prevenir que a gravidez ocorra.
- Se a fertilização do óvulo já ocorreu, a pílula provoca uma hemorragia uterina impedindo assim a nidação e portanto, a gravidez.

Grande parte destas pílulas exigem a toma em duas doses. Uma nas 120h após a relação sexual desprotegida, e a segunda dose, 12h após a primeira dose. No entanto esta toma, não garante proteção para o resto do ciclo menstrual, sendo necessário o uso de outro método contraceptivo. Se o óvulo foi fertilizado e implantado no útero, esta contracepção não provoca o fim da gravidez. Sendo que esta contracepção seja mais eficaz quanto mais cedo for tomada.


7. DIU

DIU hormonal

É um dispositivo intrauterino que liberta hormonas diretamente no útero. Tem formato de "T" com dimensões de 32 mm de comprimento. A sua haste vertical é de 19 mm de comprimento. Diminui a produção do muco cervical e aumenta a viscosidade, inibindo a penetração dos espermatozoides.


DIU de cobre

É um contraceptivo que contém cobre e que é inserido no útero para evitar a gravidez. O corpo do DIU é formado por um T flexível de polietileno, sendo a haste do T enrolada com fio de cobre e cada braço do T tem um cilindro de cobre. Dois fios brancos de polietileno exteriorizam-se através do canal cervical com comprimento de 2 a 3 cm, para indicar a presença do DIU e para facilitar sua remoção.

O efeito contraceptivo do DIU é obtido através da liberação contínua de cobre dentro da cavidade uterina. O cobre interfere no número e no transporte de espermatozoides, e dificulta a movimentação do óvulo através da trompa, impedindo a fecundação (encontro do óvulo com o espermatozoide). O DIU não evita a ovulação.



Métodos Contraceptivos de Barreira

Durante muitos séculos, mulheres preveniam a gravidez colocando algum tipo de material para bloquear o esperma. Um dos mais populares envolvia a colocação de uma esponja natural embebida em vinagre no interior da vagina. Mesmo não sendo o método mais eficaz de contracepção, ajudava. Estes métodos tradicionais acabaram por inspirar os métodos que vieram a seguir.

Assim sendo, a premissa dos métodos barreira é simples: bloquear o caminho do esperma para o útero impedindo dessa forma a fecundação.

1. Preservativo Masculino e Feminino

O preservativo masculino é dos métodos mais utilizados mas a sua eficácia depende muito da sua correcta utilização. Isto é, deve estar presente durante todo o acto sexual, devendo colocar-se antes de iniciar a penetração e retirar-se após da ejaculação.

A grande vantagem é que para além de proteger contra uma gravidez indesejada, protege também contra doenças sexualmente transmissíveis. A principal desvantagem é que a necessidade de colocação durante o acto sexual, antes de qualquer tipo de penetração, sendo que para isso, requer motivação por parte do casal. Algumas pessoas podem apresentar alergia ao látex.



O preservativo feminino é igualmente considerado um método eficaz para prevenir quer uma gravidez, quer as doenças sexualmente transmissíveis. Mas como nunca foi largamente usado não se consegue determinar o grau da sua eficácia. Pode ser colocado algum tempo antes da relação sexual, e geralmente é mais resistente que o preservativo masculino. Porém não é prático, não é de muito fácil colocação e não é muito estético.


2. Diafragma

O diafragma é um dispositivo de borracha ou silicone em forma de cúpula que recobre o colo uterino. A eficácia deste método aumenta quando a mulher utiliza um espermicida associado.

Pode ser reutilizado, desde que seja bem lavado após o uso, e conservado com um pouco de amido (maisena) polvilhado. Deve ser colocado pelo menos 15 minutos antes da relação sexual, e deve ser retirado até 6 a 8 horas depois.


3. Esponja contraceptiva


As esponjas contraceptivas são pequenas esponjas descartáveis. São geralmente feitas de espuma de poliuretano e para maior eficácia são utilizadas em conjunto com um espermicida. Este método não só bloqueia a entrada do esperma no útero, como também absorve e mata os espermatozoides.

Tal como o diafragma, uma esponja contraceptiva pode ser usada durante 12 a 24 horas. No entanto, ao contrário do diafragma, a esponja anticoncepcional oferece proteção contínua durante esse tempo, independentemente de quantas vezes relações sexuais a pessoa tiver. Depois da relação sexual, só é necessário esperar seis horas antes de retirar a esponja. A taxa de insucesso para a esponja contraceptiva pode variar muito, dependendo se a pessoa já teve ou não um filho, bem como se a esponja foi inserida correctamente. Mulheres que tiveram parto vaginal são muito mais propensas a que este método falhe porque o colo do útero está mais dilatado. No entanto, é possível que a esponja possa para desfiar ou rasgar durante a utilização.

Há poucos efeitos colaterais associados à sua utilização, podendo em algumas mulheres que ter mais infecções fúngicas. As mulheres que são alérgicas ao espermicida podem sofrer de alguma irritação quando usam uma esponja contraceptiva. Tal como acontece com outros métodos de barreira, existe um risco, embora raro, de desenvolvimento da síndrome do choque tóxico. Por esta razão, as esponjas não devem ser deixadas mais que 30 horas, incluindo as necessárias seis horas do período de espera após as relações sexuais. Este método não oferece nenhuma proteção contra doenças sexualmente transmissíveis.


4. Espermicidas

Espumas, cremes ou óvulos colocados na vagina antes da relação sexual e que matam os espermatozoides. Quando utilizados sozinhos não conferem proteção adequada, daí que geralmente são combinados com outros métodos barreira.










Métodos de contracepção Naturais

Para a contracepção consciente e livre de agentes nocivos, é imprescindível o conhecimento do próprio corpo, e uma relação sexual duplamente consciente.

Para potenciar a eficácia da análise das fases do ciclo e da capacidade fértil do corpo é necessário garantir que o mesmo está saudável, e que o funcionamento do aparelho reprodutor é regular, que os ciclos da mulher são regulares e constantes e a mesma está livre de padrões que possam boicotar a análise dos sinais do corpo. 

Determinação do período fértil

O período fértil é a fase do ciclo menstrual, na qual o óvulo migra dos ovários para as trompas de Falópio, tornando possível a gravidez. O óvulo tem um período de sobrevivência que pode variar entre as seis e vinte e quatro horas após a ovulação, e a sobrevivência dos espermatozoides depende da presença do muco cervical, onde podem viver até 5 dias, ou pode morrer no período de poucas horas. Assim existe um período de aproximadamente sete dias durante cada ciclo em que a fecundação pode ocorrer.





Como determinar?
1. Verificação do muco

Muco fértil (ou muco tipo E): é estimulado pelo estrogénio, é observado na vulva e chamado normalmente de corrimento vaginal.

Quando a menstruação termina, o muco está no mínimo, não existe muco no canal vaginal. A secura, ou ausência de muco está associada ao período estéril, e é considerada uma altura segura para atividade sexual sem risco de engravidar. O colo do útero começa a segregar muco tipo E, 6 dias antes da ovulação, portanto, utilizando este método é fácil prever quando irá ocorrer a ovulação.

Um bom indicador da secreção do muco tipo E é a presença de corrimento vaginal na roupa interior ou o facto de ser possível limpá-lo com o papel higiénico. O muco tipo E é considerado o muco da fertilidade, por possuir canais microscópicos que facilitam a progressão dos espermatozoides através do colo do útero.

Outras características do muco tipo E:
- quando seco, assemelha-se a uma folha de feto;
- é idêntico ao toque à clara de ovo crua;

O período fértil é considerado até ao 4º dia depois do pico máximo de corrimento.

Muco tipo G: estimulado por progesterona, surge após a ovulação. Após o corrimento ovulatório, o muco cervical pode desaparecer e tornar-se seco, ou ficar mais espesso e denso (muco tipo G). Quando observado ao microscópio, não possui os canais que permitem a deslocação dos espermatozoides, não só não promove esta deslocação, como a impede.

Características:
-não tem elasticidade;
-opaco e adesivo;

     2. Temperatura Basal

Para que seja eficaz, é importante medir a temperatura basal do corpo durante alguns ciclos. Esta informação deve ser cruzada com as alterações do muco cervical, e desta forma obter valores mais fiáveis.

Durante a ovulação a temperatura sobe 0,6 a 0,8ºC devido à subida dos níveis de progesterona. Se engravidar no período em que mede a temperatura, notará que a mesma não voltará a descer, e este pode ser também um sinal precoce de gravidez. O período fértil termina no fim do terceiro dia de temperatura elevada.


  

A temperatura basal deve ser tirada pela manhã, e deve iniciar a contagem pelo primeiro dia de menstruação. Se os ciclos forem regulares, permite a obtenção de uma ideia clara da extensão dos períodos férteis e estéreis.





Existem outras formas de avaliar se está no seu período fértil para além das mais tradicionais. À venda no mercado existe o “ Kit de previsão da ovulação”, que permite este cálculo através da análise de urina e saliva, pelo concentração de hormona Lh. Para este efeito é recolhida um amostra de urina, preferencialmente a primeira urina da manhã, e uma amostra de saliva que é colocada num microscópio fornecido pelo Kit.

A saliva é também um dos fluidos que se altera ciclicamente durante o ciclo menstrual, quando seca, produz um padrão microscópico semelhante à folha de feto tal como o muco cervical.

Disponíveis na internet existem calculadoras online que calculam com base no primeiro dia do período menstrual, quando irá ocorrer o período fértil da mulher. O número de dias de um ciclo regular, é variável de mulher para mulher. Está definido como padrão os 28 dias de duração de uma menstruação à seguinte, no entanto este número de dias pode variar numa escala saudável entre 26 e 33 dias.

Coito interrompido

Consiste na ejaculação para o exterior da vagina, ou seja, o pénis é retirado imediatamente antes da ejaculação. Tem uma eficácia que varia entre os 77% e os 84%. Para um maior controlo consciente da natalidade este método deve ser utilizado em conjunto com os métodos anteriormente descritos.


Artigo escrito por Sara Finote.

No próximo artigo falaremos de
Doenças Sexualmente Transmisíveis.