Infertilidade Masculina

Infertilidade Masculina

Infertilidade é a incapacidade que um casal tem de engravidar mesmo depois de um ano de relações sexuais sem proteção anticoncepcional. Cerca de 8 a 10% dos casais em idade reprodutiva enfrentam problemas de infertilidade, sendo 40% desses casos associados à infertilidade masculina. Outros 40% são causados por problemas no sistema reprodutor feminino e os 20% restantes atribuem-se a casos em que ambos os parceiros apresentam dificuldades reprodutivas.

Causas de Infertilidade

Anormalidades nos espermatozóides

Mais de 90% dos casos de infertilidade masculina se devem à baixa quantidade ou qualidade de espermatozóide (ou a ambos). Em 30% a 40% dos casos de anormalidades do espermatozóide, a causa é desconhecida. Esse quadro pode ser o resultado de um ou mais fatores que incluem doença crónica, desnutrição, defeitos genéticos, anormalidades estruturais e fatores ambientais. A obstrução parcial de alguma área por onde os espermatozóides passam pode reduzir a quantidade deles. Segundo um estudo, acredita-se que a obstrução responda por mais de 60% dos casos de quantidade baixa de espermatozóides. A própria obstrução pode ser causada por diversos fatores.

Factores que afectam a quantidade e qualidade 
dos espermatozóides

  • Idade - O efeito da idade sobre a fertilidade masculina não é totalmente claro. No entanto, há indícios crescentes de que possa ser um fator. A idade pode afetar a quantidade e a mobilidade dos espermatozoides.
  • Stress emocional - o stress pode interferir na hormona GnRH e reduzir a quantidade de espermatozóides. 
  • Superaquecimento testicular - superaquecimento, causado por febre alta, sauna ou banhos quentes, podem reduzir temporariamente a quantidade de espermatozóides. 
  • Abuso de substâncias - o uso de cocaína ou o consumo exagerado de marijuana parecem reduzir temporariamente o número e a qualidade dos espermatozóides em, pelo menos, 50%. 
  • Fumo - fumar prejudica a mobilidade dos espermatozóides, reduz o tempo de vida dos mesmos e pode causar mudanças genéticas que afetam os filhos. 
  • Desnutrição e deficiências nutricionais - deficiências em certos nutrientes, como vitamina E, vitamina C, selênio, zinco e ácido fólico, podem representar um risco à infertilidade.


  • Andar de bicicleta - esta prática tem sido associada à impotência e à infertilidade masculina. A pressão do selim pode danificar veias e nervos responsáveis pela ereção. 
  • Fatores genéticos - problemas nos genes que regulam a fertilidade e o material genético do próprio espermatozóide contribuem bastante para os problemas de infertilidade masculina. Certos quadros médicos hereditários também causam infertilidade masculina. Os próprios genes defeituosos podem ser herdados, produzidos por problemas ambientais (como exposição a radiação).
  • Varicocele - varicocele é uma veia alterada e torcida (varicosa) no cordão espermático que se liga ao testículo. Este quadro é encontrado geralmente em 15% a 20% dos homens e em 25% a 40% de homens inférteis, embora ainda não seja claro como ou mesmo se afeta a fertilidade.
  • Deficiências na testosterona e no hipogonadismo Hipogonadismo é o nome de uma grave deficiência na hormona que liberta gonadotropina (GnRH), principal no processo que liberta a testosterona e outras importantes hormonas reprodutivas. Baixos níveis de testosterona, independente da causa, podem originar problemas na produção de espermatozóides.
  • Auto-anticorpos - auto-imunidade é uma condição na qual os anticorpos atacam células especificas do corpo, confundindo-as com micro-invasores externos. No caso da infertilidade masculina, os chamados auto-anticorpos (anticorpos próprios) atacam os espermatozóides.
  • Ejaculação retrógrada - a ejaculação retrógrada acontece quando os músculos da uretra não pulsam adequadamente durante o orgasmo e os espermatozóides são empurrados para trás, sendo expelidos em direção à bexiga em vez da uretra. A qualidade do espermatozóide é frequentemente prejudicada.
  • Síndrome disgenésica testicular ou anormalidades estruturais - qualquer anormalidade estrutural que afete os testículos, ductos e outras estruturas reprodutivas podem ter um efeito profundo sobre a fertilidade.
  • Síndrome disgenésica testicular Ocorrência observada recentemente em três quadros: Produção e qualidade prejudicadas de espermatozóides, cancro testicular e anormalidades no trato genital.
As anormalidades genitais identificadas nesta síndrome são testículos retidos e hipospádia, ambos associados à infertilidade.


 - Testículos retidos (criptorquidia) - em alguns casos, os testículos ficam retidos no abdómen (e não no saco escrotal) durante a vida fetal. A criptorquidia está associada a danos que podem ser de leves a graves na produção de espermatozóides.
 - Hipospádia - defeito congênito no qual a abertura urinária fica na parte de baixo do pénis.
  • Obstrução nos canais que conduzem espermatozóides - alguns homens nascem com uma obstrução no epidídimo ou nos dutos ejaculatórios, ou ainda, com outros problemas que afetam posteriormente a fertilidade. Uma pesquisa relatou que 2% dos homens em busca de tratamento não tinham ductos deferentes.
  • Cancro e tratamentos frequentemente, determinados tipos de cancro (particularmente o testicular) impedem, de maneira grave, a produção de espermatozóide. Tratamentos para o cancro como quimioterapia e radioterapia podem danificar a qualidade e a quantidade dos espermatozóides, causando infertilidade. Quanto mais próximo o tratamento com radiação estiver dos órgãos reprodutivos, maior é o risco de infertilidade.
  • Doenças sexualmente transmitidas - Infecções como Chlamydia trachomatis reincidente ou gonorréia são as mais associadas à infertilidade masculina. Tais infecções podem causar feridas e bloquear a passagem dos espermatozóides. O vírus do papiloma humano, que provoca verrugas genitais, também pode prejudicar os espermatozóides. 
Diagnóstico da infertilidade masculina

Em qualquer tratamento de fertilidade, tanto o homem como a mulher passam por uma série de exames, caso a gravidez não aconteça depois de um ano de tentativas com relações sexuais desprotegidas. A investigação pode não somente revelar as causas da infertilidade, como também detectar outros sérios problemas de saúde, incluindo mutações genéticas, câncer e diabetes.

Histórico de fertilidade
Os pacientes devem informar ao médico um detalhado histórico de fatores de saúde e sexuais que podem afetar a fertilidade.

Avaliação física
Um especialista em fertilidade, normalmente um urologista, fará uma avaliação física que consiste na análise do saco escrotal, incluindo os testículos - essencial para qualquer tratamento de fertilidade masculina. Essa avaliação visa detectar grandes varicoceles, testículos retidos, ausência de canais deferentes, cistos ou outras anormalidades físicas.

Amostra de urina pós-ejaculatória
Uma amostra de urina pós-ejaculatória para detectar espermatozóides pode descartar ou indicar ejaculação retrógrada. Também pode ser usada para examinar infecções.
Análise do sémen
O exame básico para avaliar a fertilidade do homem é a análise do sémen. Neste exame é avaliado o número de espermatozoides, a sua morfologia (forma) e mobilidade, assim como o fluido seminal.
Análises sanguíneas
Análises sanguíneas são usadas para medir diversos elementos que podem afetar a fertilidade, nomeadamente exames hormonais (especialmente se a concentração de espermatozoides for inferior a 10 milhões por mililitro) e presença de infeções que afectam a fertilidade (incluindo HIV, hepatite e clamídia) e presença de anticorpos de espermatozoides.

Exame pós-coito
O exame pós-coito, também chamado de teste do muco cervical na penetração, foi criado para avaliar os efeitos do muco cervical da mulher no espermatozóide do homem.

Biopsia do testículo
Ocasionalmente, executa-se uma biopsia do testículo se há suspeita da síndrome de célula de Sertoli (ausência destas células) ou para detectar obstruções no sistema de passagem, quando a produção de espermatozóides parece normal, mas a contagem indica que a quantidade está baixa.

Ultra-sonografia
Visualização por ultra-sonografia é um recurso que pode ser usado para determinar de forma precisa o tamanho dos testículos ou detectar quistos, tumores, fluxo sanguíneo anormal ou varicoceles muito pequenos para deteção física. Também pode detectar cancro testicular.
Tratamento
Planeamento e monitoração da atividade sexual
Os níveis hormonais masculinos e femininos oscilam de acordo com a hora do dia. Estes variam ainda a cada dia e de mês em mês. A actividade sexual deve ser mais frequente quando as hormonas sexuais estão no auge.
Considerações nutricionais
Deve-se procurar uma alimentação saudável com frutas frescas, verduras, legumes e grãos integrais. Substituição da gordura animal por óleos monoinsaturados como azeite. Peixe também é uma boa opção, ainda mais porque contém óleos benéficos para a fertilidade masculina. Determinados nutrientes, vitaminas e minerais também aumentam a fertilidade.
Outras mudanças no estilo de vida
O homem que pretende aumentar a quantidade de espermatozóides também deve procurar um estilo de vida saudável.
  • Deve-se evitar tabaco e drogas que afetam a quantidade de espermatozóides ou reduzem a função sexual.
  • Homens acima do peso recomendado devem tentar emagrecer.
  • Fazer exercícios de forma moderada e regularmente.
  • Controlar o stress, pois pode contribuir para reduzir a qualidade dos espermatozóides.
  • Para prevenir superaquecimento dos testículos, os homens devem evitar banhos quentes e saunas.

A Infertilidade à luz da Medicina Chinesa

A energia do Rim é responsável pelo crescimento e desenvolvimento e pela capacidade reprodutiva. A infertilidade, tanto no homem como na mulher, quase sempre envolve a deficiência de Yin do Rim, Yang do Rim, ou ambas. Para além das afectações do Rim, outras síndromes como a estagnação do Qi do Fígado, estagnação de sangue, acúmulo de Humidade-Calor no Aquecedor Inferior e deficiência de Qi e Sangue podem ser comuns em casos de infertilidade masculina.

Tratamentos com a Medicina Chinesa
O tratamento através da Medicina Chinesa permite a melhoria da qualidade e quantidade de espermatozoides e sémen, através da acupuntura e fitoterapia e por mudanças no estilo de vida. Porque a maturação do espermatozoide demora cerca de 2 a 3 meses, o tratamento deve persistir pelo menos por este período de tempo.

Acupuntura
A acupuntura tem-se revelado eficaz na melhoria da qualidade e quantidade de espermatozoides, assim como na alteração de algumas características morfológicas dos mesmos. A acupuntura age também no sentido de estabilizar emocionalmente o paciente ou casal que atravessa.

Estudos sobre tratamentos de acupunctura para a Infertilidade Masculina
Um estudo realizado pela Faculdade de Acupuntura e Moxabustão na Universidade de Shangai relatou 35 casos de infertilidade devido a anormalidades no esperma que foram tratados apenas com eletro-puntura de baixa frequência.
Os resultados do estudo mostram uma melhoria nos sintomas de dor na região lombar, micção frequente, emissão seminal e nos vários parâmetros de avaliação do esperma.
A actividade e quantidade de esperma, qualidade do sémen e do meio espermatogénico (diminuição significativa da mucosidade e tempo de liquefação) também melhoraram. Igualmente importante, as hormonas sexuais foram normalizados da seguinte forma:
- 33,5% de melhoria em FSH
- 35,3% em LH
- 57,1% nos níveis de estrogênio
- 65,1% em testosterona


Noutro estudo, israelita, foram analisadas amostras de sémen de 16 homens sub-férteis tratados com acupuntura. A análise foi realizada antes dos tratamentos e um mês após. Os tratamentos foram administrados duas vezes por semana durante cinco semanas. Foram também analisadas as amostras de sémen de 16 homens sub-férteis não tratados, como um grupo de controle.
Nos homens tratados com acupunctura, as melhorias foram medidas em percentagem de viabilidade, percentagem de espermatozoides móveis totais por amostra, e integridade dos flagelos (cauda do espermatozoide). O índice de fertilidade do esperma aumentou "significativamente" após o tratamento de acupunctura.

Um estudo americano verificou, através da aplicação de um protocolo de acupuntura, que os pacientes que foram submetidos a tratamentos de acupuntura melhoraram de 44.5% a 50% a mobilidade dos espermatozoides e apresentaram melhorias significativas a nível de estrutura acrossómica dos espermatozoides.

Fitoterapia
As formulas chinesas são uma componente muito importante para o tratamento. A maioria dos casos de infertilidade masculina envolve algum elemento de vazio do Rim (Yin, Yang ou Qi), que pode ser tratado eficazmente com ervas que tonificam o Rim.
Diferentes estudos têm demonstrado que a fitoterapia que estabiliza a essência do Rim e tonifica Fígado e Rins melhora a motilidade dos espermatozoides.
A fitoterapia que tonifica o Yang do Rim diminui a impotência, fadiga, dor lombar, frequência urinária, e espermatorreia.

Estudos sobre tratamentos de fitoterapia para a Infertilidade Masculina
Um estudo do Instituto de Acupuntura e Meridianos - Anhui College of TCM, Hefei, China - relatou que 87 casos de infertilidade masculina, com anomalias de sémen foram tratados com uma fórmula de fitoterapia.
Análise do sémen pós-tratamento mostrou que os parâmetros do esperma melhoraram em 83 dos 87 casos (mais de 95% dos casos).
No final do estudo, 49 das esposas dos homens tratados (56,32 por cento) estavam grávidas.

Um estudo propôs-se a estudar o efeito de uma fórmula chinesa no esperma de ratos em ambiente de laboratório, sendo induzidas artificialmente oligoastenospermia (espermatozoides com níveis baixos de contagem e mobilidade). Os resultados foram uma melhoria nos níveis da contagem de espermatozoides, da sua viabilidade e actividade.


Artigo por Renato Braz, baseado em:
- Artigo “Infertilidade Masculina”, por Joana Prata
http://ginecesmtc.blogspot.pt/2013/06/infertilidade


-masculina.html
- Trabalho da cadeira de Andrologia e Ginecologia “Infertilidade Masculina” por Tatiana Sousa e Marta Fonseca.