Sexo nas várias religiões



Catolicismo

Até cerca do ano 200 d.C. Vivia-se numa fase que se pode chamar de erotismo Pagão. O culto do corpo e a procura dos prazeres fossem eles carnais, materiais ou espirituais era extremamente importante na Roma e Grécia antigas, e era por estes padrões que a sociedade se regia.

Após esta altura, o cristianismo começou a propagar-se fortemente e com ele as ideias de que os esposos deveriam ser castos, controlar todos os seus impulsos, reprimir até os actos de carícias e o sexo deveria ser apenas para a procriação instalaram-se e deram origem a novos comportamentos neste âmbito.


O Sexo começa a ser visto como Pecado, a condenação geral da sexualidade e uma rigorosa regulamentação de seu exercício. Entre o inicio do cristianismo e a sua consolidação no século IV, o sucesso da nova ética sexual é assegurado por duas series de acontecimentos de ordem teórica e prática: a sobrevalorização da virgindade das mulheres e a realização do ideal de castidade dos padres, acreditando que com estes factores as pessoas conseguiam ser virtuosas e manter os seus princípios morais.

Isto levou a uma repressão sexual nos Cristãos. Mulheres e os homens acusavam certos seres demoníacos de as obrigar a cometer actos indecentes, quando estas tinham alguns comportamentos sexuais.

A noção de prazer passa a ser repudiada, e a par disso as mulheres começam a ser vistas como as tentadoras dos homens. Aparece também a ideia de que as mulheres são seres inferiores, fracas, débeis e enganadoras.



A Igreja definiu um só padrão sexual, incumbe a prática da monogamia e surgem leis que tornava o adultério punível com a morte.

Esta visão de conspurcação do sexo levou também à intolerância, ao obscurantismo e à agressividade aberta. Com a dissociação do amor e do sexo, na Idade Media o amor deveria ser unicamente dirigido a Deus e o que é hoje chamado comumente de amor foi totalmente ignorado, porque era visto como paixão sexual irracional, selvagem e destrutiva.

Judaísmo



Proíbe o casamento com praticantes de outras religiões, condena o adultério e a masturbação, é liberal em relação a variações sexuais, aconselha o uso de métodos anticoncepcionais naturais, não aceitando métodos artificiais como o preservativo.



Em relação aos chamados desvios sexuais, o conselho é procurar o rabino que poderá sugerir uma terapia.

Na antiga sociedade judaica, a prática do adultério era encarada com horror e apreensão, considerada uma ameaça à integridade moral do indivíduo e à preservação de "nação sagrada".

No hebraico bíblico não havia palavra correspondente a "solteiro". A não existência da palavra, era prova que não havia necessidade dela. A ideia de não se casar era inaceitável. “Um homem solteiro vive sem nada de bom, sem ajuda, sem alegria, sem bênção e sem expiação".
No decorrer do período talmúdico, quando as formas tradicionais de vida judaica estavam sob os hábitos greco-romanos, terão existido alguns elementos inclinados a permanecer solteiros, os quais, na opinião dos rabinos, deviam ser incentivados a casar.

A lei moral judaica exigia completa abstinência sexual dos solteiros de ambos os sexos. Assim que as crianças se tornavam conscientes de sua sexualidade, eram treinados a controlar os impulsos sexuais. A masturbação e até mesmo os "pensamentos lúbricos" estavam incluídos entre as transgressões sexuais proibidas. Desta forma, para a preservação da castidade entre os jovens, era tradicional o costume de fazê-los casar muito novos para que não caíssem em tentação.

Em tempos diferentes, alguns rabinos fizeram algumas modificações nos princípios da religião, no intuito de acompanhar as mudanças da sociedade.
A lei judaica tem muito a dizer sobre a conduta sexual dos casais. O sexo não é o único componente da vida matrimonial judaica e pode não ser o mais importante, mas tem bastante significação e alcance e deve ser tratado com a máxima seriedade e atenção.
O casamento e os problemas correlatos formam parte importante de toda literatura talmúdica.

Talmud refere uma “Ordem” inteira dedicada a assuntos como casamento, divórcio e direitos da mulher e todas as facetas da vida conjugal, estão discutidas no Talmud. Os aspectos sexuais do casamento são de essencial importância. O código prescrito pela lei judaica para marido e mulher é geralmente designado Taharát Hamishpacha, isto é, “pureza familiar”, eufemismo bem apropriado, porque se refere ao desejo na forma de auto transcendência que, conhecida como Taharát, ou pureza, representa magnífica protecção à integridade da família.

A atração sexual desempenha um importante papel para levar um homem e uma mulher ao leito nupcial e mantê-los unidos nos primeiros meses e anos de casamento. Mas se esta atração se for deteriorando nos anos seguintes, a permanência do casamento é em si arriscada e pode vagarosamente desintegrar-se. Segundo o Talmud, o casamento para ser bem sucedido, a atração entre marido e mulher existente durante o período inicial do casamento, deve ser preservada e ampliada. E é justamente a abstinência sexual recomendada pela pureza familiar que ajuda a manter aquela atração, estimulando a renovação do desejo.

É aplicada esta abstinência durante o período que a mulher se apresenta ritualmente impura. Este período vai do primeiro dia do ciclo menstrual até o banho ritual no Micvê (duração mais ou menos de 12 dias). As leis de Niddah que forçam o homem e a mulher a ficarem separados durante um período de quase duas semanas todos os meses, tem a função de renovar o laço sexual entre o casal. Esta ausência de contacto sexual é vista como uma quebra na rotina do casal e após a abstinência eles expressam sentimentos equivalentes aos do tempo de noivado. A intimidade excessiva conduz a abusos que levam ao aborrecimento e tédio e é vista como causa directa da desarmonia matrimonial.

No judaísmo não há referência à propagação da espécie. Sendo assim, o sexo não é algo intrinsecamente vergonhoso ou sujo. Muito pelo contrário, é uma das mais sagradas entre todas as funções humanas – sempre que seja mantido dentro das orientações da Torá e que não seja pervertido.

Na religião judaica o oposto do matrimónio é a prostituição, e uma das palavras que significa prostituta é Kadeshah – literalmente, uma mulher que corrompeu a sua santidade, indicando o outro lado desta santidade, que é a perversão.

Para os judeus, o sexo é tão sagrado porque tem a capacidade de conseguir algo que está além do poder de todas as outras funções humanas – isto é, produzir um ser humano.

Apesar de ser uma religião um pouco mais tolerante em relação ao sexo do que a religião católica, a Torá possui uma lista de actos sexuais que são considerados perversões. Dentro dessa lista está o incesto, a homossexualidade, masturbação, prostituição, adultério e sexo durante a menstruação.

Existem vários mandamentos relacionados com o sexo no Judaísmo, como por exemplo: a obrigação do marido de ter relações sexuais com a esposa, o de se reproduzir, amar ao próximo, etc. Diante tudo isso, a intenção principal é de tornar a esposa feliz, já que satisfazer a esposa é uma obrigação da Tora.

Para o homem, produzir alegria e prazer na mulher é necessário que ele saiba as diferenças naturais que existem entre eles no âmbito sexual, pois o ideal do acto é o homem unir-se com sua esposa e os dois chegarem juntos ao clímax, para assim santificarem-se e elevarem-se.

A Tora sugere até a quantidade de vezes que o casal judeu deve manter relações sexuais, isto é, dependendo do estado físico do homem e do tipo de trabalho que ele exerce.

Se o homem tiver um trabalho stressante que o esgote fisicamente, ele não precisa manter relações sexuais com a sua esposa constantemente, porém se o seu trabalho for tranquilo, a sua obrigação será de manter relações sexuais frequentes, havendo o consentimento e disposição de sua esposa.




A noite que o Judaísmo considera mais propícia de manter relações é a noite de Shabbat, na qual se adquirem forças físicas e espirituais para a semana toda. Porém, a média de relações sexuais que o Judaísmo coloca como o ideal seria duas vezes por semana. O melhor horário para a relação seria no meio da noite pois, a digestão já está terminada, o corpo está pronto para o acto e neste período não há interrupções, pois todos estão a dormir.




Budismo

O uso de contraceptivos, variações e opções sexuais além de outros tipos de relacionamentos, são totalmente permitidos desde que não haja prejuízo físico ou emocional para o próprio ou para os outros.

Em relação às disfunções sexuais, o budismo recomenda tratamento, considerando que a meta de cada indivíduo é ser plenamente feliz.

Na literatura budista mais antiga, a única coisa a respeito do comportamento sexual especificada como imprópria é a prática sexual com um parceiro impróprio.

Esta categoria inclui mulheres casadas ou noivas, ou as que estão sob o controlo de outra pessoa, tal como uma filha solteira controlada pelos pais, ou ainda monjas comprometidas pelos seus votos. Se um homem praticasse sexo com qualquer uma destas mulheres, a motivação seria geralmente o desejo obsessivo.

No final do primeiro século da era moderna, vários costumes que eram socialmente aceites em determinadas culturas não-indianas vieram a ser lentamente adicionados à lista dos tipos destrutivos de comportamento, como por exemplo o incesto. Embora muitas destas ações já devessem ter ocorrido na India, elas nunca eram discutidas abertamente.

Gradualmente, outras formas de comportamento sexual foram consideradas impróprias, como determinados orifícios do corpo (boca e ânus) já que a prática sexual em orifícios impróprios é motivada pelo desejo obsessivo do prazer.

Momentos e locais impróprios para a prática sexual também foram adicionados, tal como durante a gravidez e a amamentação, dentro dos templos ou durante o dia.
A homossexualidade e a masturbação também fazem parte desta lista de comportamentos sexuais impróprios.

De acordo com os textos vinaya existem listas de mulheres parceiras sexuais impróprias e listas que especificam homens impróprios.
É dito também que praticar sexo mais de cinco vezes consecutivas é considerado destrutivo.

Em Sutra está escrito: “se a via do sexo entre um homem e uma mulher é justa, o clima, o tempo também são justos. Se a prática sexual é desordenada, o clima, o tempo e a ordem cósmica são afetados e perturbados. Isto origina a decadência da civilização e sua ruína. O amor é uma coisa boa e necessária para os seres humanos. Assim deve ser sempre rejeitada uma má prática sexual.”
É dito também que os órgãos sexuais devem ser fortes, pois se não se é completo, não é possível ser monge ou monja.
Antigamente, antes da ordenação, observavam os órgãos sexuais do discípulo e se o discípulo não tivesse uma erecção, não podia receber a ordenação. O mesmo acontecia com as monjas frígidas. Uma monja anciã examinava as monjas. Esta era a cerimônia mais importante, junto à da ordenação.

Exemplos de uma má vida sexual são: O sexo sem amor, a violência sexual, a prostituição, iniciar a vida sexual muito cedo, quando se é demasiado jovem, violentar crianças, mudar constantemente de parceiro, narcisismo, fetichismo, masoquismo e a homossexualidade, exibicionismo, a coprofilia, a sodomia, a necrofilia, o travestismo, o voyeurismo. Há também lugares onde o sexo é proibido.



Testemunhas de Jeová

As relações sexuais são entendidas como algo sagrado, por ser o meio pelo qual a vida é transmitida. As relações sexuais legítimas, após o casamento, são consideradas honrosas e um dever do qual nenhum dos cônjuges deverá privar o seu companheiro, mas com uma série de restrições.

O sexo antes do casamento ou mesmo demonstrações algumas de afecto entre solteiros, não são aceites. A virgindade é altamente valorizada. As palavras fornicação e porneia são muito usadas para recusar certas práticas ou hábitos sexuais, não aceites por esta religião. Incluem-se nestas: relações sexuais entre pessoas solteiras, sexo antes do casamento, masturbação, adultério, poligamia, homossexualidade, pedofilia, incesto e sexo com animais. Entendem que estas práticas podem ser pecados sérios. São ainda incluídas outras práticas como o nudismo ou comportamentos que possam ser considerados chocantes no relacionamento entre pessoas não casadas entre si e pornografia.

A interrupção voluntária da gravidez é igualada a assassínio visto que consideram que após a fecundação, uma nova vida humana foi concebida. Os métodos contraceptivos que são considerados abortivos são também rejeitados.

A ideia de que existe um “uso errado dos órgãos sexuais” inclui diversos atos como o sexo oral, o sexo anal e masturbação e a prostituição. Conforme a Bíblia, estes actos são considerados relações sexuais ilícitas fora do casamento biblicamente válido.

Instaurou-se uma regulamentação da vida sexual íntima de seus membros. Esta regulamentação, de 1972, resultou num considerável número de audiências à medida que os anciãos investigavam os relatórios ou confissões das práticas sexuais envolvidas. As mulheres sofriam uma vergonha aflitiva em tais audiências ao responderem às perguntas dos anciãos sobre os hábitos das relações maritais. As relações sexuais “pervertidas”, mesmo entre pessoas casadas, poderia levar mesmo à expulsão ou inadmissão das pessoas a cargos importantes exercendo fortes pressões na comunidade Jeová até aos dias de hoje.


Igreja Evangélica

É um movimento cristão que começou no século XVII por volta de 1730, a partir da igreja metodista de Inglaterra e dos luteranos na Alemanha e Escandinávia. Afirmam que Deus instituiu o casamento e que este deve ser monogâmico, heterossexual, a união completa entre duas pessoas (homem e mulher).

A exclusão da poligamia de qualquer tipo significa que uma vez consumado o casamento, a união é permanente até que a morte os separe sendo que a relação sexual é vista como um acto de compromisso e lealdade instituído por Deus na vida de duas pessoas casadas.

É dito que a incapacidade de se preservar puro sexualmente até ao casamento conduz ao pecado. No entanto, contrariamente a outras religiões, o sentido da sexualidade é entendido como parte integrante de todo o sentido da vida cristã. Isto traduz-se na visão do sexo como algo divino, de ligação do casal oficialmente casado pela igreja e com fim de reprodução e de felicidade intima do casal. A sexualidade deve ser procurada apenas com o fim desta união matrimonial e não pela busca do prazer incessante.

Os pastores costumam não recriminar o uso de cosméticos, como cremes, óleos aromáticos e géis íntimos, mas todos os produtos para práticas anais e sadomasoquistas, geralmente, são proibidos tais como vibradores e auto-estimulantes.

Qualquer forma de consumo de pornografia, mesmo que em conjunto pelo casal é proibida e são considerados pornografia todos os conteúdos que contenham nudez, inclusive revistas, e cenas de sexo.

A masturbação, sexo anal, sexo oral, sexo em grupo, sexo virtual, comunidades LGBT , adultério, prostituição, também são formas de pecado (no sentido que os desejos e as paixões degradantes são pecados graves aos olhos de Deus). No entanto, algumas correntes evangélicas afirmam que a masturbação e o sexo oral entre um casal pode ser admitido, desde que seja de vontade de ambas as partes com fim à união do casal.

Não são contra fantasias sexuais, desde que estas não envolvam fetichismo ou vícios. É permitido o uso de anticoncepcionais desde que sejam usados com o acordo e conhecimento mutuo do casal e não sejam métodos abortivos.


Protestantismo

É uma corrente muito semelhante à Evangélica e tem como um dos princípios a interpretação privada ou juízo privado dos textos bíblicos. No protestantismo, a opinião de cada um dos fiéis em matéria de interpretação bíblica tem o mesmo peso. Por isso, a divergência de opiniões entre os protestantes é encarada como algo natural, não veem necessidade da existência de um pensamento geral unificado, ao contrário do catolicismo.
Assim, o Protestante também permite o uso de anticoncepcionais para facilitar o planeamento familiar, são contrários ao sexo antes do casamento, condenam o adultério e o aborto, permitem as variações sexuais mas a masturbação é considerada pecado e são contra pornografia.

Em relação as disfunções sexuais aconselham que seja procurado o pastor para uma orientação.


Islamismo

Quando muçulmanos se casam, eles tem a responsabilidade de satisfazerem as suas necessidades sexuais entre si e não deve existir nenhuma relação extra matrimonial. O adultério e a fornicação são pecados sérios e um delito grave perante a lei islâmica. O resultado do comportamento irresponsável do adúltero gera, com frequência, a destruição da família.

O islamismo desencoraja a interação social entre homens e mulheres e diversos países islâmicos praticam ativamente a segregação sexual. A religião, no entanto, não desencoraja todo e qualquer contacto entre os sexos.

Relacionamentos em que apenas o homem se realiza sexualmente nunca foram uma orientação do islamismo e os ensinamentos evocam o prazer sexual como parte primordial do casamento.
"Segundo nossas leis, mesmo após a ejaculação, o homem tem de ir até o fim e proporcionar o orgasmo à mulher".

A relação sexual é permitida em qualquer posição, sempre e quando a penetração se realizar por via vaginal. É aconselhável não dormir após as relações sexuais até realizar o udu’ (ablução menor: purificação que deve ser realizado antes da salah ou ler o Quran) .

Durante a menstruação é permitido tudo o que o parceiro deseja fazer para desfrutar um ao outro excepto a penetração e o contacto directo das partes íntimas.
É completamente proibido o sexo anal pois ele está ligado a actos homossexuais e sodomia.

Apesar do conceito de famílias numerosas muçulmanas, é permitido recorrer a alguns métodos anti-conceptivos, sempre que exista alguma causa que leve o casal a considerar esta medida, e a mesma seja tomada de comum acordo. O uso do DIU, a esterilização voluntária, homossexualidade e aborto são proibidos nesta religião.
É também proibido revelar detalhes de hábitos sexuais do casal.
Existe a possibilidade do sexo antes do casamento. Esta prática tem nome especifico e trata-se de um “casamento temporário” para combater a solidão e evitar a solicitação de prostituição.

Nesta religião o homem prevalece sobre a mulher, sendo que ele pode querer divorciar-se da mulher, rejeitando-a, e o contrário não é aplicável.

Em muitas famílias, a mulher ainda é vista como inferior e é tratada como objecto sexual do marido. Os casamentos são muitas vezes forçados e sujeitos a contratos específicos entre famílias.

O homem pode casar com até quatro mulheres livres ao mesmo tempo, e pode divorciar-se de uma delas e casar-se com uma quinta, desde que não mantenha mais do que quatro esposas ao mesmo tempo. Ele pode ter sexo com um número ilimitado de concubinas. O celibato, pelo contrário, é visto como uma condição malévola, carregada de efeitos nocivos.

Os muçulmanos acreditam que a masturbação mútua, que culmina no orgasmo para ambos é admissível.

A questão do sexo oral no Islão é polémica entre os islâmicos estudiosos. Alguns permitem a prática e outros desaprovam. No entanto, a regra islâmica em geral é que não é proibido no Alcorão.

Qualquer acto que cria e reforça a estimulação sexual entre os parceiros sexuais pode constituir preliminares, inclusive beijar, tocar, abraçar, conversar e brincar, provocar (neste caso pode incluir a negação sexual erótico).

A estimulação manual ou oral das zonas erógenas podem ser considerados preliminares, bem como fazendo parte do acto sexual em si.

Roleplay, atividades, fetiche e BDSM também podem ser considerado preliminares, e podem acompanhar a relação e não apenas a preceder.

A pornografia não é permitida e actos homossexuais ainda são considerados crimes puníveis em algumas zonas.



Taoismo



O mundo, segundo os orientais, divide-se em dualidades Yin e Yang, que nascem do Tao.
Yin, o lado feminino, com a qualidade da passividade. O Yang, lado masculino, a actividade.
Estas dualidades combinam-se, interrelacionam-se e transformam-se entre si. Por outro lado, fala-se dos Três Tesouros, que são: Jing, Qi e Shen e a refinação e transmutação destes, a fim de incrementar o tempo de vida e o vigor, assim como aumentar e purificar a sua reserva natural de espírito (sémen), constituem o núcleo essencial da prática dos que se propõem ao Taoismo.
No caso do homem, o segredo está em não ejacular. Desta maneira pode-se formar o elixir que conduz à longevidade, à imortalidade e à união mística com o Tao.


A alquimia Interna taoista coincide com o Kundalini Yoga, no aspecto de utilizar os canais psíquicos para recolher a energia.
Muitos Taoistas afirmam que o sexo é uma energia poderosíssima que quando reprimida pode ocasionar os mais bizarros desvios de comportamento e que quando utilizada plenamente, o Ser Humano pode alcançar os mais altos níveis de evolução, especialmente quando há uma ligação intrínseca entre Sexo, Amor e Transcendência.

O sexo, para os taoistas, sempre foi algo indispensável à saúde física e mental, algo que faz parte da ordem natural das coisas. Nesta concepção, o sexo existe para ser utilizado como o alimento, pois, como este, é um protetor de vida e saúde.

O Taoismo destaca o equilíbrio que deve haver entre Yin e Yang, as forças complementares feminina e masculina respectivamente. Acredita-se que uma relação entre dois homens (Yang com Yang) pode resultar no enfraquecimento de ambos e até mesmo doença. Nesse caso não houve a harmonia que é alcançada através da relação entre Yin e Yang. Em um relacionamento lésbico (Yin com Yin), não haveria perda de energia, uma vez que esta é inesgotável nas mulheres. Mas a opinião em relação a este tópico é muito variada. A masturbação é vista como uma forma de conhecimento do próprio corpo mas sempre sem chegar à ejaculação.


A repressão Sexual e as suas consequências

Em suma, uma característica que quase todas as religiões têm em relação ao sexo é o facto de exercerem uma repressão sexual. O conjunto de regras, moralismos e valores exercidos desde crianças pode ter efeitos negativos na forma como cada individuo encara o sexo para o resto da vida.


É conhecido por vários estudos e psicólogos famosos que, desde que nasce, o Ser Humano tem a tendência para a procura do prazer (seja ele de que forma for).

A sexualidade faz parte de todas as etapas de crescimento e é um processo natural. A ideia geral que o corpo, o sexo, o prazer e a satisfação sexual são pecado, causou uma enorme repressão ao longo de várias gerações.

Esta pressão social foi causa de muitas doenças e até desvios comportamentais. A necessidade de esconder o sexo e reprimir as necessidades de cada um pode gerar frustração, depressão, trauma e pudor do próprio corpo pois muitas vezes quem está sujeito a determinados dogmas religiosos acaba por punir-se quando comete “actos pecaminosos”, pondo a sua religião á frente de si próprio.


A sexualidade feminina, por longo, tempo permaneceu no âmbito da procriação e manutenção da espécie. O objectivo da relação sexual era a reprodução.

O mesmo não era aplicado ao homem. Este podia satisfazer seus desejos e fantasias com outras mulheres.

Até há bem pouco tempo, a mulher que tivesse desejo sexual era considerada doente, e por isso muitas mulheres culpabilizavam-se por ter esse tipo de desejos. A repressão sexual contribui para o aparecimento de neuroses, entre elas em especial a neurose obsessiva, histerias, impotência sexual, frigidez e outros transtornos psíquicos e fisiológicos.



Na vida de muitos casais é comum detectar traços de repressão sexual especialmente entre as mulheres, o que atrapalha a vivência harmoniosa do casal, gerando incompreensões, discussões e até mesmo separações. Vários psicólogos afirmam que “O equilíbrio da sexualidade está diretamente relacionado com a maturidade afetiva”. “O recalcamento — resultado da interiorização da repressão sexual — enfraquece o ‘Eu’ porque a pessoa, tendo que constantemente investir energia para impedir a expressão dos seus desejos sexuais, priva-se de parte de suas potencialidades”.

Todos os conjuntos de padrões e normas impostos pelas religiões acabam por exercer um papel “modelador” da actividade sexual de cada individuo e retiram muitas vezes a identidade sexual do mesmo. Não é de estranhar que isto seja forma de gerar doenças.

Para Ballone (2004), contrário do que a maioria das mulheres sexualmente reprimidas imagina, os casos de disfunção causada por limitações físicas são raros, sendo os fatores psicológicos os mais decisivos na regulação do apetite sexual.

A falta de informação sexual, as distorções dos ensinamentos (seja por preceitos religiosos ou sociais) ou a estimulação excessiva podem determinar os mais variados distúrbios na actividade sexual.
Muitas vezes o desconhecimento e a sobrevalorização da religião promove até uma falta de higiene e de cuidados íntimos, pois só o facto de se tocar nos órgãos genitais pode ser visto com imenso pudor, e como se sabe, há inúmeros problemas que daí advêm.
Na mulher, os fatores psicológicos podem gerar desde a falta de desejo em iniciar a relação sexual, falta de lubrificação vaginal e dilatação, falta de prazer na relação sexual ou até mesmo dor durante o acto.






Esta repressão pode gerar problemas na mulher, como:
• Transtorno do desejo sexual hipo-activo (HSDD)/frigidez
• Transtorno Orgástico Feminino (atraso ou incapadidade de orgasmo) ou Anorsgamia
• Transtorno de excitação sexual
• Vaginismo
• Transtorno de aversão sexual
• Manifestações associadas à depressão
• Candidíase
• Culpabilização
• Vergonha
• Frustração
Já no homem podem gerar:
• Ejaculação precoce
• Impotência Sexual
• Frustração
• Depressão
• Vergonha
• Culpabilização



O Sexo na MTC

O útero tem uma base muito forte na MTC. Ele armazena na mulher desde traumas, repressões, emoções etc. Todos os estímulos a que a mulher é sujeita ao longo da vida estão intimamente ligados ao útero e este tem uma ligação estreita com o Coração. Estes estímulos, quando negativos, vão ser armazenados no útero e podem provocar menstruações dolorosas, partos complicados, falta de energia e vitalidade, infertilidade, falta de desejo, anorgasmia, insegurança, falta de autoestima, entre outros.

A mulher vive muitas vezes desligada deste seu lado e a importância da reconexão desta consciência com o útero permite resolver grande parte destes problemas e desfrutar plenamente da sua sexualidade. Pela sua ligação com o Coração, tomar consciência do útero ajuda a entrar em contacto, perceber e desbloquear emoções.

Como já foi referido no Taoismo, a medicina chinesa dá uma grande importância
à ejaculação. Quando o homem ejacula existe uma perda de Jing. Essa perda vai provocar um desgaste pois o Jing é a essência armazenada no Rim e é responsável pelo crescimento e pela manutenção da saúde e longevidade do homem. Sempre que há libertação de Jing, considera-se que há um excesso de actividade sexual, que é condição etiológica de muitas síndromes na medicina chinesa.
Já na mulher, essa perda de Jing é quase inexistente nas relações sexuais, mas pode ser equiparada às perdas de sangue na menstruação.

O desejo sexual depende do Fogo Ministrial, e um apetite sexual saudável indica que este Fogo é abundante e saudável. Quando o desejo sexual cresce, esse Fogo Ministrial cresce e o Yang aumenta: o orgasmo é a libertação de Yang acumulado, e em qualquer circunstância normal, é uma descarga benéfica de Yang-Qi que promove a livre circulação do Qi e do Sangue no corpo. Quando o desejo sexual cresce, o Fogo Ministrial fica agitado, isto afeta a Mente (Shen) e especificamente o Coração e o Mestre Coração. O Coração conecta-se ao Útero através do vaso do Útero (Bao Mai), e nas mulheres, as contrações orgásmicas do útero descarregam a energia Yang acumulada do Fogo Ministrial.

Segundo Macioccia, quando há desejo sexual mas não há atividade sexual nem orgasmo, o Fogo Ministrial pode tornar-se patológico, acumulando-se e gerando agitação e Hiperactividade do Yang. Isto pode traduzir-se em diversas manifestações: calor no Sangue e estagnação de Qi no Aquecedor Inferior. Este calor acumulado gera uma situação cíclica que agitará ainda mais o Fogo Ministrial que por sua vez perturbará o Shen, até que a estagnação de Qi no Aquecedor Inferior possa ocasionar problemas ginecológicos, como a dismenorreia.



No que diz respeito à frustração sexual, de entre as causas emocionais que dão origem a doenças, há diferenciações entre a preocupação e a depressão.

Considera-se que a depressão gera sempre estagnação, como consequência da frustração emocional e sexual. A estagnação por si deixa a mente agitada mas sem que haja libertação. Isto causa estagnação de Qi no Triplo Aquecedor e no peito, após algum tempo haverá sintomas estranhos como sensação de frio e calor. Quando o fogo ministerial (Ming Men) falha em aquecer o útero, vai gerar obstrução por frio que pode ser a causa de infertilidade, dismenorreia ou falta de desejo sexual.



Quando o Ming Men se encontra em excesso, o Yang aumenta, aquece o sangue e pode haver descarga menstrual excessiva, infertilidade ou aborto.

Na Medicina Chinesa as emoções têm grande impacto no corpo. Isto explica porque a repressão sexual tem tanto impacto no organismo em si.

Uma desregulação emocional (seja ela trauma, stress, etc), vai ter uma influência sobre a menstruação, gravidez, trabalho de parto, disposição sexual, entre outras.

O canal útero - coração é sempre afectado por problemas emocionais e esta conexão explica a profunda influência do stress emocional sobre a esfera sexual.
A frustração, culpa, vergonha e todas as outras emoções relacionadas à repressão sexual causada pelas imposições e tradições de determinadas religiões vão gerar outros sentimentos.

  • Tristeza e mágoa – afecta o Coração e os Pulmões 
  • Preocupação – afecta principalmente o Baço - Pâncreas e também pode afectar o Pulmão e o Coração; 
  • Raiva – afecta o Fígado e gera estagnação 
  • Medo – afecta o Rim 
  • Culpa – que afecta o Coração e o Rim 
Com o tempo, para além de desgastar ou estagnar o Qi, a desregulação emocional pode provocar um afundamento do Qi causando, por exemplo, prolapsos uterinos.

As emoções também se vão repercutir directamente sobre o desejo sexual: excesso ou ausência, tanto no homem como na mulher.

Considerando a repressão sexual das mulheres, não é de estranhar que a estagnação de Qi ocupe um lugar tão central nas patologias femininas, sendo a estagnação emocional em mulheres o resultado da frustração sexual, separação, perda e solidão.

Quando há desejo mas não há actividade sexual, o fogo do Ming Men aumenta e este pode até acabar por gerar adição sexual.

No homem, quando há falta de líbido e um declínio do fogo do Ming Men, poderá haver disfunção eréctil, ejaculação precoce ou infertilidade.
Já quando o fogo do Ming Men está em excesso poderá haver priapismo, e também ejaculação precoce.








Artigo elaborado por Cátia Dias a partir do seu trabalho para a cadeira de Ginecologia do 5ºano da ESMTC


Bibliografia:










https://elisonpsicologo.blogspot.pt/2013/07/repressao-sexual.html

Macioccia,Giovanni Os fundamentos da Medicina Chinesa