Dismenorreia na Adolescência





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Dismenorreia refere-se a dor no baixo abdómen ou outros desconfortos que ocorrem antes, durante ou depois da menstruação. A dismenorreia normalmente ocorre em mulheres entre os 15 e 25 anos, e tende a desaparecer quando a mulher tem filhos.

Na medicina convencional, a dismenorreia pode ser definida como a dor abdominal e/ou pélvica intensa que surge antes, durante ou após a Menstruação. Estima-se que, em Portugal, entre 25% e 60% das mulheres sofrem desta perturbação e que entre 1% e 15% dos casos apresentam dor com maior intensidade, designada por dismenorreia grave. Há que considerá-la uma perturbação de alguma relevância, já que constitui uma causa importante de incapacitação laboral, de automedicação e de consulta.
 



Uma menstruação normal deve ocorrer com um ligeiro desconforto e sem dor. O normal fluxo de sangue menstrual é de até 5 dias e deve variar entre 30ml e 80ml, os dias e a quantidade de fluxo menstrual estão interligados, a cor varia durante o período, no início o sangue tende a ser mais claro assim como no final e no meio mais vermelho vivo, o sangue menstrual não tem coágulos, o ciclo menstrual regular é de 28 dias, mas pode ocorrer um desvio ocasional e não ser considerado “anormal” ainda, se o ciclo menstrual numa mulher sempre foi de 30 dias isso é considerado normal.
 
A dismenorreia pode manifestar-se não apenas como uma dor isolada, mas também associada a um conjunto de sintomas variados que engloba outros problemas, como náuseas e vómitos (89%), fadiga (85%), diarreia (60%), cefaleias (45%),obstipação, distensão abdominal e /ou mamária, dores na lombar, tonturas, edema, dores nas pernas, ansiedade, astenia, irritabilidade, depressão, entre outros. Em alguns casos, para além dos sintomas, ocorre a expulsão de coágulos de sangue durante o período. Alguns métodos contracetivos, nomeadamente a pílula, podem mascarar as dores menstruais e outros, como o DIU, podem intensificar essas dores. Por conseguinte, esta disfunção pode representar uma deterioração do estado físico e psíquico nas mulheres que sofrem de dismenorreia periodicamente.
 



As cólicas começam a aparecer quando o ciclo menstrual fica regular, o que pode levar em média dois anos. Para a menstruação ocorrer o útero passa por contrações provocadas por ação hormonal, especificamente pela prostaglandina. Em algumas adolescentes as contrações são mais fortes, mas há meninas que têm apenas mais sensibilidade à dor. "Estudos mostram que a adolescente que tem cólica produz maior quantidade de prostaglandina", diz a ginecologista Lúcia Costa Paiva, do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp, em São Paulo. Além disso, ela observa: quanto maior o fluxo menstrual, maior a tendência de cólica. "Mais fluxo significa um endométrio mais espesso".
Outra teoria sobre a causa da cólica está no útero cujo colo é muito fechado. "Isso resulta num aumento de contrações para facilitar a saída da menstruação", explica o ginecologista Eduardo Zlotnik, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Segundo os médicos, a cólica não passa de mãe para filha, mas é comum ver ambas sofrerem do mesmo desconforto. Acredita-se que os hábitos familiares possam ter influência. "Às vezes, a mãe trata a menstruação como algo tão negativo que esse período passa a ser visto pela filha do mesmo modo, com reflexos como a dor".
 
Medicina Chinesa

Sob o ponto de vista da MTC, o Fígado, o Ren Mai e o Chong Mai são responsáveis pelo mecanismo da menstruação. Para que a menstruação ocorra normalmente, o sangue deve ser abundante e mover-se adequadamente, este movimento correto depende do livre fluir do Qi por parte do Fígado, Yin, Yang, Ren Mai e Chong Mai saudáveis. 

O movimento correto do Qi e sangue do Fígado é essencial para uma menstruação sem dores. Se o Qi do Fígado estagna causará dores menstruais, sendo a Estagnação, a causa patológica mais importante na Dismenorreia. Existem também, outros fatores etiológicos bastante importantes na dismenorreia, são eles a tensão emocional, frio e Humidade, esgotamento pelo esforço, doença prolongada e/ou crónica, excesso de atividade sexual e muitos partos. 


A raiva, frustração e ódio podem gerar Estagnação de Qi do Fígado que, por conseguinte, gera períodos menstruais dolorosos. A exposição excessiva ao frio e humidade, especialmente durante a puberdade, gera Estagnação de Frio no Útero e menstruações dolorosas. O cansaço, a doença prolongada, a atividade sexual excessiva e o elevado número de partos, geram Deficiência de Qi e sangue e má nutrição dos vasos Ren Mai e Chong Mai, o que gera Estagnação e dor. 


Em suma, a Estagnação de Qi, Estase de Sangue e Estagnação de Frio no Útero são os factores mais importantes da dismenorreia. Mesmo nas dismenorreias por Deficiência de Qi e Sangue há uma componente de estagnação uma vez que o sangue não se move corretamente.



Testemunhos


Todos os meses é a mesma coisa para Carolina Maciel, 15 anos. A menstruação vem e, junto com ela, uma dor no baixo-ventre "Às vezes dói tanto que não consigo andar". A queixa é comum a 40% das adolescentes, variando apenas na intensidade, pois a dor pode irradiar para a região lombar e pernas. "Em geral, a cólica surge nas primeiras horas do início da menstruação, mas algumas meninas sentem dor já na véspera", afirma a ginecologista Lúcia Costa Paiva.


Tratamentos

O tratamento da dismenorreia tem como objetivo o alívio sintomático. Os anti-inflamatórios não esteroides (AINES), como o ibuprofeno, reduzem a produção de prostaglandinas e consequentemente a dor menstrual. São os medicamentos usados como primeira linha. Devem ser iniciados o mais cedo possível, ao primeiro indício de dor ou no início da menstruação.

Os contracetivos hormonais, como a pilula, podem ser utilizados quando os AINES são insuficientes para o controlo sintomático; reduzem o fluxo sanguíneo menstrual e inibem a ovulação, sendo à base de hormônios gera atrofia no endométrio que não atinge a espessura máxima e diminui o fluxo da menstruação, minimizando consequentemente as dores da cólica.
Na medicina Chinesa a pilula contracetiva não é de todo o tratamento mais indicado uma vez que altera a normal menstruação de cada mulher.





 

Para além da medicação referida, existem outros tratamentos naturais que podem ajudar no alívio da cólica menstrual:

- Aplicação de calor: banho quente ou aplicação de botijas de água quente na região inferior de abdómen pois os vasos dilatam, a prostaglandina é dissipada e a intensidade da dor diminui. Há um inconveniente, porém de o calor aumentar o sangramento;

- Tratamento de Acupuntura, além de diminuir as dores, a acupuntura ajuda a estabilizar o estado emocional, que sofre grandes oscilações durante o período da menstruação. Por isso, a principal vantagem de um tratamento de acupuntura é que a acupuntura visa o equilíbrio do organismo, trabalhando a paciente como um todo física e psicologicamente, acrescentando qualidade de vida e bem-estar. Aliado à acupuntura, também a Fitoterapia e a Massagem Terapêutica são eficazes no tratamento da dismenorreia;

- Infusões de Orégãos, uma vez que o orégão têm efeito sedativo e antiespasmódico, ou seja, acalma os espasmos musculares e as dores provenientes das cólicas menstruais. O orégão também podem ser usados em óleo de massagem para alívio das dores.

- Boas práticas de sono: dormir bem antes e durante o período menstrual;


- Prática regular de exercício físico e de técnicas de relaxamento.



Bibliografia:
https://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=11579&langid=1
https://drauziovarella.com.br/entrevistas-2/colicas-menstruais/
http://www.minhavida.com.br/saude/noticias/14590-pilula-anticoncepcional-combinada-e-eficaz-contra-dores-do-periodo-menstrual
http://revistacrescer.globo.com/Crescer/0,19125,EFC596908-2336,00.html
https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-borba/13-mezinhas-da-avo
http://www.acupunturista.net/content/article/721/acupuntura-no-tratamento-da-colica/

Artigo escrito por Catarina Marques Ramos baseado na Monografia de Investigação de Final de Curso, Curso de Medicina Tradicional Chinesa, 2014 de Catarina Marques Ramos. Traduzido por Rita Bernardes, editado por Jorge Ribeiro

Origem das imagens: Google